quinta-feira, 27

Bom, prazer, meu nome é Julia. Desde criança, sempre fui muito calma. Nunca dei muito trabalho aos meus pais. Gostava muito de brincar com bonecas, de casinhas, minha infância não foi muito distorcida não, apesar dos meus pais terem se separado ainda quando era pequena. No final, isso acabou sendo uma coisa positiva para mim. À medida que o tempo foi passando, minha relação com minha mãe piorou um pouco; brigamos bastante, por questões de desavenças com relação a forma de pensar, aos estudos etc. Ao contrário do que aconteceu com meu pai, nossa relação é muito boa, nos entendemos muito bem. Por conta dessa relação com minha mãe, vivo mentindo pra poder sair ou com qualquer outro tipo de coisa. Um vício que eu tenho agora e que sei que é errado, mas é como se eu já tivesse me acostumado. Sinto que mudei muito com relação ao que era há um tempo atrás: cresci, minhas idéias são um pouco mais formadas, tenho uma opinião mais forte, sinto que fiquei um pouco mais esperta do que era, sou uma pouco mais madura também. Sei que sou boba com relação a deixar as pessoas me usarem. Quero sempre agradar todo mundo e isso acaba sendo algo que me prejudica, afinal, tem pessoas que não merecem tal maneira de serem tratadas. Dou muitas chances às pessoas e muitas delas simplesmente não merecem isso. Bagunçar é comigo mesmo, acredito naquilo de “pra que arrumar se depois vai bagunçar de novo?”. Apesar de que ás vezes preciso ter minhas coisas organizadas. Sou muito fechada, posso dizer que não confio quase em ninguém. As pessoas não me deixam a vontade a ponto delas me conhecerem a fundo, quem eu realmente sou. Mas acho que todos nós temos nossos segredos, coisas que só guardamos para nós mesmos. É necessário existir esse nosso lado. Gosto muito de música, uma coisa que me encanta e me faz muito bem. Estou aprendendo a tocar violão e guitarra, com muito esforço, diga-se de passagem. Preciso mudar constantemente de cabelo, acabo sempre enjoando do meu rosto, gosto sempre de inovar. Tenho um pouco de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), mas nada que atinja minha vida de forma negativa. Sou meio neurótica às vezes, muito estressada. Tenho crises emocionais, que apesar de rápidas, são constantes. Vou muito ao cinema, sempre alugo filmes para ver. Acho que dá pra aprender muitas coisas com alguns deles. Gosto de escrever bastante, tenho até um blog que sempre escrevo quando sinto vontade de desabafar mas não tenho coragem de fazer isso com alguém. Internet é praticamente algo que não vivo mais sem. Sou carente, sempre gosto de receber afeto, ainda mais espontâneos. Vivo me apaixonando por pessoas na rua, querendo conhecê-las, mas coisa que fica apenas na vontade mesmo. Metrô é meu meio de transporte preferido e túneis me agradam também, gosto da iluminação deles. Pretendo seguir jornalismo, algo relacionado à publicidade. Tenho aptidão para isso, gosto muito de escrever; ser uma redatora em um jornal, revista, ter uma coluna ou algo do gênero, sempre foi minha vontade. Fotografia é outra coisa que me agrada muito, sempre tiro fotos de ocasiões, pessoas ou coisas abstratas mesmo. Acho mágico poder gravar um momento de maneira tão simples. Costumo também sempre filosofar sobre as coisas. De vez em quando isso me dá um certo tipo de agonia, mas muita das vezes me trás calma também. É basicamente isso, obrigada por gastar seu tempo lendo um pouco sobre minha desconhecida pessoa.

auto-biografia para uma futura auto-análise.

segunda-feira, 24

me acho babaca por me precipitar em certos atos que, apenas momentaneamente são plausíveis e com características de solução. não sei se é um caso de escrever pra melhorar meu estado de humor, já que a questão em jogo não é o humor, mas sim o psicológico, "as drogas naturais que o meu corpo produz" e o resultado delas em mim. vai ver minha falta de ar é por conta do cigarro, daquela fumaça cinza que eu cismo em inalar. vai ver é porque eu fiz uma coisa babaca, talvez por ser uma pessoa assim. me sinto assim no momento. queria poder resolver tudo, fazer as coisas de outra maneira pra terem outras consequencias. posso muita das vezes complicar coisas banais, mas ainda acredito que as pessoas fazem isso em maior quantidade do que eu. até porque as pessoas existem em maior grandeza que eu. sou um mero nada nesse mundo todo. a solução podia ser até escrever, mas dessa vez teria que ser pra alguem. gosto de sentir a atenção de alguem, a preocupação, a perda de tempo comigo. que que eu sou? o que eu tô fazendo comigo? meus pêlos se arrepiaram e eu não sei o que quero. se quero. as coisas tem muito significados, muitas entrelinhas. não gosto disso, não as enxergo e se o faço, não sei lidar com elas. talvez por não querer, talvez por simplesmente não ter talvez. tinha que ser mais simples, podia e deveria ser. até porque não tem razão pra ser assim. é o que, uma especie de jogo de "aprendizado"? se for, simplesmente não quero aprender, passar por essa etapa. mas e se ela for necessária? posso estar dizendo isso pelo estado que estou, que ainda não decidi e identifiquei em que área se encaixa. queria ser do tipo, se-eu-quiser-eu-faço. acho que a expressão fazer tipo se encaixa perfeitamente agora. gosto da resposta do meu corpo pelo o que estou sentindo, mas creio que nesse momento não as queria perceber.

sexta-feira, 14

é muita coisa ao mesmo tempo passando pela minha cabeça, minha coordenação motora é incapaz de conseguir atingir a rapidez dos meus pensamentos, mesmo que eu queira. mesmo que eu queira. ser natural, no sentido de se expressar no momento, no segundo, no milésimo, no nascimento, na criação, de qualquer coisa que eu sinta vontade de expressar é impossível. talvez seja algo que eu necessite e justamente por isso, nunca vou conseguir conquitar. muitas coisas são assim, quando queremos é justamente quando nunca vamos conseguir. mas se essa teoria é uma razão com fundamento, então.. me esqueci, simplesmente esqueci a linha do meu raciocínio. me perdi na música, me perdi no som, me perdi. me perdi no que isso faz comigo. me lembrei. então, deveríamos desistir de tudo. nada vale a pena. mas não é assim. não é assim que eu penso, não é assim que eu quero acreditar que as coisas são. simplesmente não são. posso me iludir, mas simplesmente não são. não quero. eu não consigo me expressar, nem metaforicamente, nem literalmente, nem verbalmente, nem de maneira alguma. não sai da forma que eu quero. talvez não saia porque não há maneira de sair. talvez minha expressão é algo tão denso e condensado que nada é suficiente para funda-la. não me lembro do que escrevi até esse ponto. eu não me lembro de muita coisa, muita coisa que eu devia me lembrar ou apenas queria. minha memória é algo vulnerável, não posso confiar nela. não posso confiar em mim pra muitas coisas. vai ver, coisas são inexistentes por alguém não ter em quem confiar pra conseguir seguir em frente, pra poder se estabilizar e conseguir seguir em frente. eu penso demais, penso demais no que eu falo, no que eu tô falando, quando, na verdade, nada do que eu falo precisa fazer algum sentido. não precisa, ninguém precisa. ninguém. tem vezes que sinto a pulsação do meu sangue no cérebro, sinto ele se espalhando pelo meu corpo, queimando cada veia minha. é gostoso, é uma sensação boa. sinto que existo, que sou uma matéria, um conjunto de átomos em movimento eterno. acabou. tudo que eu queria falar, falei. me expressei. na verdade, não sei. já que o que eu estava sentindo pode ter ido embora justamente por isso, por não ter como fisga-lo e expôr para o mundo, para eu mesma. as vezes tenho medo de não conseguir viver coisas por elas serem muito rápidas e eu não ter essa capacidade de conseguir seguir o momento, a velocidade com que elas acontecem. a velocidade com que eu deveria conseguir e existir da mesma forma.