segunda-feira, 23

as vezes me dá preguiça de viver. motivação que falta. de pensar e mandar meu cérebro ordenar meu corpo a se levantar e mexer, ocupar o espaço do ar no vazio, mudar as coisas de lugar, ou simplesmente, se mudar de lugar. talvez seja o resfriado, a chuva, não sei. sei que estou desanimada, novamente. as pessoas me desanimam, me surpreendem de maneira negativa. elas fazem questão disso, tenho quase certeza. e pra quê? aonde está o prazer em fazer, e saber que está magoando outra? mas tudo se compensa, é quase uma lei. acho que é essa parte da compensação que me motiva um muito pouco. ganho as forças pra fazer as coisas com o mínimo desgaste de energia. já percebi que ver alguém feliz me faz chorar, mas não por inveja, sim por emoção. alegria de ver alguém assim e imaginar que um dia, isso pode acontecer comigo. até porque já aconteceu, mas eu quase não me lembro como é. precisa ser algo mais corriqueiro na minha vida. quero ter malícia quando necessário pra não ser usada e levada pelo sopro bobo dos outros. como alguns conseguem se apoderar dos outros sem nem ao menos saberem disso? as vezes, sabem. eu, ingênua como sempre, fico achando que meu mundo é único e de mão única. espirro. atarefar-me está me deixando triste e pensar que essa é minha única saída.. bom, não preciso nem me explicar quanto a isso. me conheço bem. tão bem, que chego a não me entender. mas ai já estou fugindo do ponto da situação. me deixa ser feliz, deixa eu ser do jeito que quero. me condene, vá em frente, mas não me afete, não me decore, não me conheça, não me descubra. tire suas conclusões, se aventure, mas não me leve no vento que você provocar.

sábado, 21

não, não escrevi tudo o que eu queria. e sem escrever tudo, não sossego, não acalmo. preciso desopilar, soltar, tudo que está condensado dentro de mim. que nem o feijão dentro da panela de pressão. quero que de tanto querer, aconteça. acho merecido essa condição, convenhamos. tem tanta foto bonita por ai, tanta gente com sensibilidade. isso me motiva, preenche um espaço, não que esteja vazio, apenas carente. se identificar é uma dádiva, te compreenderem sem te incriminarem, julgarem, é único, raro. as pessoas podiam ser mais bondosas, compreensivas, umas com as outras. tudo seria mais tranquilo, sem tanta frieza, rigidez. sem tanto impacto mesmo na parte de porcelana que cada um tem. as vezes a pessoa só tem essa parte, ela é essa parte. e eu me sinto assim as vezes. é julgamento atrás de julgamento, falta de apoio, de compreensão por todos e qualquer lado. acho que entendi, não pensar que me agonia. não processar e não reconhecer o que tá passando pela minha cabeça que me dá aquele vazio mental, aquele buraco negro pior do que qualquer medo que eu já tive. me olho nos olhos, me analiso por inteira e espero me encontrar, o outro eu que tá lá pra mim quando eu precisar e não existir letras, palavras, música, foto, texto, pessoa, risada, jeitos, nada nada nada pra me confortar. a única forma pra me ajudar é eu me olhar nos olhos, enxergar a minha alma que nunca ninguem teve coragem de encarar. e se teve foi porque não estava olhando com os olhos e sim, reconhecendo um semelhante, uma outra essencia escondida.

sábado, 21

continuo com minha mania de esquecer o que ia escrever. meus textos passam muito rápido pela minha mente, não consigo nem absorvê-los. quem dirá, gravá-los. preciso inventar um outro costume pra recompensar o outro que tanto me atrapalha. minha garganta continua doendo e eu estou rouca. cansei da minha voz assim já, de sentir falar pesado. quero que o vento possa bater nas minhas costas, quero tomar algo tão gelado que faça meu cérebro doer. quero ser a mulher-maravilha, tosse. mentira, não quero não. eu minto muito, não dê confiança. e como o google se atreve a dizer o que eu quero dizer? oras, ele é um simples imortal sem sentimentos, nunca vai me compreender. sou mais que isso, sou tão mais que chego a ser pior. uma mania que não tenho - e que adquiri recentemente - é não querer melhorar o que já está bom. pra quê correr o risco de piorar algo que já está satisfatório? melhor não. sou medrosa, bunda mole. sem-bunda mole. vivo perdendo o fio da meada, sei lá, vai ver nem tenho um fio da meada. acho que crio uma única linha só, com vários fiapos pelo meio do caminho. entrar numa livraria chega a me emocionar, percebi isso hoje. acho bonito ver que existe tanta coisa pra eu poder traçar metas, vejo que motivo pra viver, existe, basta eu escolher. mas me dá medo também, analisar e perceber que não vou conhecer nem metade - imagina, metade - das coisas que queria. é tanta coisa que chega a ser injusto, cruel. mas sou uma sonhadora, não perco as esperanças. a realidade é tão sem graça, prefiro manter a maior porcentagem na ilusão. acho contraditório, eu, que tanto gosto - gosto? nunca parei pra pensar se gosto. sei que faço - de pensar, me interro por um livro entitulado "pensar é transgredir". gosto - e disso tenho certeza - de sentir que a minha opinião pode estar errada, de que tem outra forma de pensar e analisar a mesma coisa. é comovente, no bom sentido. fico agoniada com o vazio que me dá, a falta de palavras, na verdade, da variedade delas. não consigo me expressar com o que sei, é tudo igual, não quero mais falar igual, cadê, cadê elas que fogem, com pernas, criam vida e fogem sozinhas pro meu inconsciente e lá se perdem até que quando eu não quiser, elas vão aparecer de novo. elas brincam comigo, me usam quando não quero usá-las, são pertinentes no momento errado. elas são muito mais do que posso explicar, até porque é com elas que eu explico. elas são tão completas, que elas próprias são usadas como auto-explicação. agoniante. quero minha voz de volta, quero poder falar de novo tudo que eu quero escrever de novo. tá tudo zonzo, tudo bagunçado. elas tão correndo, pra lá e pra cá, meus pensamentos voando em parceria com elas. elas são tudo. elas sou eu, eu me moldo nelas, elas me comandam e eu me deixo levar na esperança e ilusão de que um dia são serei mais dependente delas. palavras. um dia vou escrever sem lê-las.

sexta-feira, 06

cansada de puxar assunto, de conversar, trocar idéias, me expor, se exporem pra mim. cansada de banalidades da vida que me rodeiam sem parar. nunca vai parar. e é só eu começar a ficar bem pra alguma coisa acontecer e me derrubar de novo. lá vou eu iniciar todo meu esforço novamente, me re-erguer, reconstruir tudo aquilo que desmoronou sem nem ser culpa minha. é sempre culpa exterior, é sempre culpa deu não me culpar. mas as vezes sou a vítima e quero deixar isso claro. me faz bem. analisar como a sociedade é e o que os seus padrões exigem me atordoa um pouco porque me sinto fora dele e distante de alcança-lo. quero tanta coisa, ao mesmo tempo, agora, dinheiro, não tenho, bolsas, sapatos, shorts, óculos, tudo. eu quero tudo, quero merecer tudo. ai chega meu cansaço mental de tanto pensar em coisas ordinárias que não mereciam minha atenção, mas que continuo a prevalece-las mesmo assim. natural, nunca fui muito típica mesmo. meu pai mesmo veio me dizer que ele percebeu que eu gosto dos filmes que não fazem muito sucesso e que não foram feitos para vender. pois é, gosto do que ninguém dá importância porque é lá que encontro coisas preciosas que quase ninguém, muito provavelmente, nunca parou nem pra perceber. e eu vou lá e encontro, interpreto, dou atenção, respondo e concluo. da forma que deveria ser feita. me sinto satisfeita por fazer o objetivo de alguem ser cumprido. as vezes não gosto da maneira que eu me coloco e me expresso. sai errado, sai diferente. e ai eu paro pra pensar que nem o controle sobre as coisas que são criação, origem, minha, eu tenho. tudo tem sua própria vida, direção, que escolhe por si só dependendo do vento, ou dependendo de nada. vento e nada são coisas totalmente diferentes. hoje eu senti o quente do sol, secou a tristeza que tava escorrendo dos meus olhos, me fez bem. me senti mais feliz, alguem que me acompanha desde sempre tentando fazer eu ficar bem, perceber que nada está perdido, que eu preciso continuar, sobrevivendo como venho fazendo há um tempo. e vou continuar, até surtar de vez, parar de sentir o vento e não ver mais o sol.

domingo, 01

as vezes, as letras de algumas músicas me arrepiam. elas me retratam de maneira absurda, penso que quem escreveu me conhece mais do que eu mesma. agora eu entendi a parte do livro que ele tenta fazer com o que outro seja tão culpado quanto ele, ou que tenha alguma culpa pra carregar, pra se sentir menol mal. é justamente o que eu queria que acontecesse. mas não acontece. por isso costumo não cobrar muito das pessoas, não quero ser cobrada. acho uma fuga levemente válida. as vezes funciona. não bastasse isso, ainda tem o problema do ambiente da minha casa. é impressionante, é sempre a mesma lenga-lenga e eu fico nessa rua sem saida que é um exemplo muito bom, até. ou eu fico nesse ciclo sem fim, ou eu saio pela único lugar que tem e que vai dar no mundo. o jeito é eu me jogar o quanto antes pra começar a me solidificar como gente.