cansada de puxar assunto, de conversar, trocar idéias, me expor, se exporem pra mim. cansada de banalidades da vida que me rodeiam sem parar. nunca vai parar. e é só eu começar a ficar bem pra alguma coisa acontecer e me derrubar de novo. lá vou eu iniciar todo meu esforço novamente, me re-erguer, reconstruir tudo aquilo que desmoronou sem nem ser culpa minha. é sempre culpa exterior, é sempre culpa deu não me culpar. mas as vezes sou a vítima e quero deixar isso claro. me faz bem. analisar como a sociedade é e o que os seus padrões exigem me atordoa um pouco porque me sinto fora dele e distante de alcança-lo. quero tanta coisa, ao mesmo tempo, agora, dinheiro, não tenho, bolsas, sapatos, shorts, óculos, tudo. eu quero tudo, quero merecer tudo. ai chega meu cansaço mental de tanto pensar em coisas ordinárias que não mereciam minha atenção, mas que continuo a prevalece-las mesmo assim. natural, nunca fui muito típica mesmo. meu pai mesmo veio me dizer que ele percebeu que eu gosto dos filmes que não fazem muito sucesso e que não foram feitos para vender. pois é, gosto do que ninguém dá importância porque é lá que encontro coisas preciosas que quase ninguém, muito provavelmente, nunca parou nem pra perceber. e eu vou lá e encontro, interpreto, dou atenção, respondo e concluo. da forma que deveria ser feita. me sinto satisfeita por fazer o objetivo de alguem ser cumprido. as vezes não gosto da maneira que eu me coloco e me expresso. sai errado, sai diferente. e ai eu paro pra pensar que nem o controle sobre as coisas que são criação, origem, minha, eu tenho. tudo tem sua própria vida, direção, que escolhe por si só dependendo do vento, ou dependendo de nada. vento e nada são coisas totalmente diferentes. hoje eu senti o quente do sol, secou a tristeza que tava escorrendo dos meus olhos, me fez bem. me senti mais feliz, alguem que me acompanha desde sempre tentando fazer eu ficar bem, perceber que nada está perdido, que eu preciso continuar, sobrevivendo como venho fazendo há um tempo. e vou continuar, até surtar de vez, parar de sentir o vento e não ver mais o sol.
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