segunda-feira, 08

Eu já esqueci o que ia escrever. Sempre esqueço tudo que eu tenho pra falar, quando finalmente consigo. Eu preciso de um constante receptor de informações pra nunca nada me escapar, já que fugir de mim mesma é o que mais faço. Me lembrei. Eu gosto de pensar no que poderia ter acontecido, mas não foi. E cada vez que faço isso, é um agulha entrando em minha consciência, fazendo com que eu sinta que ela existe e que a culpa por tal fenômeno - o arrependimento - é exclusivamente minha criação e falta de ação. Mas, incrivelmente, consigo sobreviver a tudo isso. Não completamente, claro. A cada consequência desse efeito, me esvairo em pequenas partes, me consumo em poucos milisentimentros. É como se fosse sempre pequenas reproduções internas, mentais, supositórias, do que eu queria que tivesse acontecido; do que estava em minhas mãos - era só ordenar com elas, organizar, posicionar, ser, enfim, o diretor de alguma cena. Mas não. Eu não faço questão. E é engraçado isso, como as coisas acontecem - como? - como o tempo passa - passa? - e eu continuo a mesmo. Estagno sempre: no mesmo cômodo - comodismo - e no mesmo passo - passatempo. E é basicamente isso, eu me esticando, querendo, tentando, me esforçando, por assim dizer, mas quando eu chego quase lá, quando eu tenho noção de que é só um impulso - talvez um susto - pra que eu finalmente alcance, eu caio, me retraio, simplesmente inconcluo o concluível. O palpável, o concreto. O espaço do abstrato - literalmente - tem que existir pra mim, como se fosse meu ponto se segurança, o aviso de que eu sei onde estou pisando justamente por não estar pisando em lugar algum. Vivendo o nada, sendo o nenhum. E me faz tão bem ler um "a gente" vindo de alguém. Não que seja de verdade, mas saber da existência - sempre a existência - preenche, apraz, satisfaz. Abre um sorriso em meus olhos e o lado negro dos meus pensamentos se acalmam, amenizam, dão lugar ao conforto da luz do amanhecer do sol. Aquela luz que eu gostava tanto, há 2 anos atrás, quando ia pro colégio. E eu tirava foto, e era feliz. Eu registrava aquela felicidade egocêntrica, mas pura. Eu era aquilo que hoje nem em foto existe mais, nem fingindo existe mais. Mas eu tenho as lembranças, os fantasmas de mim mesma, dentro de mim mesma, sendo tudo, menos eu mesma.

domingo, 07

Algumas coisas doem de tão inacreditáveis. Como eu fui capaz? O que eu tava pensando? Deve ser um dom sempre escolher a pior das escolhas. Tão triste. Só faz com que eu tenha mais pena de mim e goste menos do pouco que sou. Não quero mais nada, ou melhor, não quero querer nada. É mais fácil assim e o fácil me apraz. Um dia, quem sabe um dia, vida.

quinta-feira, 7

Acabei de ver o filme "Comer, rezar, amar". Me acho ridícula por ficar pensativa ao ver um filme desses, mas acho que essa é, simplesmente, a função básica dele. Aquilo de "sendo infeliz juntos para que sejamos felizes por não estarmos separados" foi um baque; foi como me olhar no espelho e não entender o reflexo. Como que, em algum momento, eu já pensei dessa forma? É tão baixo, tão fácil. É o puro e bruto comodismo. E o erro está justamente nisso; em querer sempre está a salvo na mesmice, com medo da revelação da transformação. A mudança é necessária e faz bem. Foi só depois dessa frase, de ouvir isso em um filme, que eu me aceitei. Ou melhor, que eu aceitei minha decisão. Não me arrependo mais, sem usar nenhum artifício justificativo. Ah, a plenitude. Outra coisa que absorvi, como mera identificação pessoal, é a retração a qual eu me submeto, desnecessariamente. Se eu sinto, devo deixar sentir. Eu posso ser e devo me permitir tal coisa. Ao reprimir, eu sufoco e abafo dentro de mim tudo que devia estar sendo externado; proibo tanto esses sentimentos, que eles acabam se tornando um veneno, o oposto do que são. Então, agora, vai ser assim: se está aqui dentro é porque precisa sair. E esvaecendo, amena a turbulência, a sofreguidão de absorver todo o caos ao mesmo tempo. É um processo, apenas. Simples, como tudo deve e pode ser.

terça-feira, 05

Esse marasmo que me agonia. É ter tudo pra fazer e não fazer nada. O nada não vale tanto assim pra eu gastar meu tempo com ele. E, incrivelmente, é sempre o que eu faço. Que eu não sei usar meu tempo, eu nem discuto mais, porque a verdade é sempre mais forte que meus argumentos falidos. Queria gastá-lo com pessoas, mas elas nunca vem. Nunca tem alguém. E é toda essa limitação da minha casa, da minha vida social, dos meus horizontes de uma maneira geral, que me limitam. Ando muito expansiva ultimamente; já consumi o ar de todos os espaços vazios da minha vida e agora eu preciso de mais, do novo, do que eu não tenho. Calma Julia, daqui a pouco passa... daqui a pouco você volta a ser o pouco que sempre foi.

quinta-feira, 23

Eu sou uma conformista inconforme. Hm, como explicar? Eu não consigo aceitar algumas coisas, simplesmente não dá. Por exemplo, você. Não consigo superar, porque é tão surreal, tão inexplicavel, tão sem fundamento que eu não entendo o porquê de ser assim como é. É ilógico. Se a base do raciocínio é falha, todo o resto do pensamento se torna falho. Tudo vira uma grande mentira. E é justamente isso que acontece: aparentemente está tudo bem, houve uma superação quando, na verdade, ocorre justamente o contrário, e da pior maneira possível: enrustidamente. Porque quando se lida dessa maneira com as coisas, elas vem a tona e eu me fodo. Eu explodo. E tudo sai voando pelos ares, em cima de mim. Derrubando tudo, de maneira caótica, e quando a onda passa, fica eu e a destruição em volta de mim. Fica a incerteza do que nunca foi. A inconformidade está nisso. Já a conformidade vem do fato que, aparentemente, eu já aceitei isso dentro de mim. Tanto que está aqui até hoje, praticamente imutável. Tão injusto, tão injusto. Outra coisa é: por que eu preciso ser algo? Por que eu preciso ser algo pra poder ser significativa pras pessoas? Pra elas me perceberem como futuro, como prosperidade, como sucesso... Isso é ridiculo. Sufocante. Destruidor. Destrói. Todos os sonhos, as liberdades, as vontades livres... Enfim. Tudo de natural que possa existir dentro de mim. É como um meteoro de realidade, de cotidiano, de ordem, de regramento, de tudo que não satisfaz. De tudo que eu não quero na medida que eu deveria querer. "I shall be free, free, free like these voices inside me." E o que eu sei fazer? Nada. Não sei fazer nada, não sou boa em nada. E a questão é essa: POR QUE eu preciso SABER o que ser, o que eu sei fazer pra SER algo? Ou melhor, pra ser considerada alguém? Eu cansei da métrica da minha vida. E todas as frases seguintes que eu pensei em escrever começaram com "Eu" e algum verbo que eu não consigo conjugar porque nenhum se encaixa ao que eu quero, ao que eu preciso. Não tô inspirada, não fode.

sexta-feira, 17

É isso. As pessoas precisam de mim tanto quanto eu preciso delas: o ciclo existe. Tô angustiada, vida de merda, pessoas de merda, humores de merda. I want to feel like a child now.

sexta-feira, 10

Preciso me decidir. Entre tantas coisas, há a indecisão. Tanta vida, tanta ocasião, tanto movimento e barulho... e eu aqui, estática. Tudo vai passando tão rápido que eu sinto vontade de vomitar; não consigo pensar, assimilar as coisas, e vomito. É sempre assim. Não aguento mais. Sabe, sabe quando você tenta fazer por onde, quando você realmente pensa em dar uma chance do exterior se internalizar em você? Pois eu sei. Sei porque sempre sou assim, mas nunca são comigo. Eu sempre tento me adaptar, mas nunca se adaptam. Nunca. Eu dou o primeiro passo - esperando um retorno, inconscientemente consciente - mas nada. Nunca vem nada em troca. E eu fico aqui, estática. De susto, de frustração... mas nunca desesperançosa. Nunca. Sempre volto a fazer a mesma coisa... Meu problema é esse, acreditar no que está fadado. "Mas as pessoas mudam..." Porra nenhuma. Pessoa é o bicho mais esquisito, mais intolerável, mais insociável que existe. Sempre com seus sempres e nuncas, suas reclamações, lamúrias... ê chatice. Como eu sou chata. E insegura. Poxa, que saco. Não sei o que fazer, por onde começar, se vai ser bom começar de fato. Tem como ficar pior do que já tá? Medo. Por isso que eu gosto de extremos: eles são certeiros, fatais, irremediáveis. E eu tenho medo. Porque eu preciso voltar atrás: eu posso precisar. Acho que isso é ser egoísta. Eu quero ter alguém pra me apoiar, um porto seguro anti-falha, anti-julgamento, anti-cobranças... Acho que eu quero um cachorro. Um cachorro, decidir minha vida e externar o que sinto. É, tá bom pr'um dia só.

quinta-feira, 12

Escreva sobre o amor. É, ta aí. Um assunto sobre o qual não posso escrever porque é difícil tratar de uma coisa o qual você não faz idéia sobre o que é, digamos, palpavelmente. Talvez seja isso; essa vontade de querer concretizar o amor que arruína qualquer vão escapatório que tal sentimento possa encontrar nas minhas frestas internas. Acho que, no final, a solidão e o amor estão sempre juntas, andando lado a lado, se diluindo ora em um, ora em outro. Secando ao sol, evaporando, revelando os restos quebradiços, os pedaços que conseguiram se unir depois de tamanho desgaste, depois de tamanha provação. E merecem. Lying in the sun, absorving D vitamin. Ah, que delícia. Amor, solidão, sol, praia, noite, teclas e eu. Tá sentindo? Fecha os olhos, fecha. Olha como a pulsação segue o ritmo, como o olho pisca na nota mais aguda, como o seu lábio sorri, como a mente vagueia por cantos obscuros, tão claros, já esquecidos por sua cegueira esperada - diria até programada. Nos meus vãos que precisam ser preenchidos justamente por ele. Ouve a voz dos instrumentos, se joga nessa película fininha; fininha que te envolve, nesse casulo aconchegante, no abafado do conforto. É quase um sopro no coração, uma nova pulsação. Música, amor e solidão.

domingo, 8

E o que que eu tô fazendo? Eu não sou assim. Sei que não sou. Eu pretendo ser, apenas. Mas nunca sou. Acho que nunca fui, de fato. Sei lá, me sinto nunca ter conjugado um verbo. Me sinto "mim". E eu vejo essas coisas bonitinhas e irreais na tv e penso "Ei! Era isso ai. É quase isso ai que eu devia ser." Porque eu sinto minha essência, apesar da contradição. Quer dizer, não é uma contradição indeed. Eu não conjugo verbos externos, de ação e consequências para o mundo. Os verbos pronominais, em que eu ajo e sofro, como via de mão única, esses sim. Esses são constantes e presentes no meu cotidiano. E ai eu me indago, por que? Por que eu não sou como eu sou mesmo? Por que eu tenho que ficar me escondendo por debaixo de, sei lá, 9 Julias (acho que foi esse o número que minha amiga concluiu que eu sou)? Oras, no final acabo sendo elas. Não? Sim. Lógico que sim. Ou não. Depende do ponto de vista. Tudo é uma questão de perspectiva, opinião, noção. Da verdade. É esse o ponto de partida que eu nunca escolhi, que faço questão de evitar, de afastar. Me afastar de mim mesma. Mas também não é por falta de tentativa. Eu já tentei me mostrar, me expor como sou mesmo. Já fui sendo, entende? Porém, como que por ironia da vida, sempre quando me arrisco a dar essa passo do tamanho de um pulo, eu recebo a famosa, a adorada, a forever and ever staying by my side, denial. É sempre assim. Não devo ter sido feita pra ser fiel a mim mesma. Apesar de nunca ter traído ninguém - que não eu mesma, evidente. That's why everything is so messed up in my head. É por isso que eu não sei me expressar e receber a reação esperada, que eu não sei viver sendo eu e reagir como as pessoas esperam, é por isso que eu não sinto e ninguém consegue sentir nada de volta. Simplesmente por eu não saber. Eu não sabendo, as pessoas não entendem. E o que as pessoas tendem a fazer com o que é bizarro? Com o incompreensível? Isso, elas se afastam. Soa o alarme "DANGER" e eu termino sempre igual: inconjugada.

quinta-feira, 5

É irônico como as oportunidades da vida se apresentam, como tudo acaba por ir e voltar. Mas diferente. Não sei, me parece que a ordem dos átomos influenciam nos fatos, no seu desenrolar... Então é meio que impossível, de fato, que as coisas se repitam. But they do. E as mesmas dúvidas (supostamente aniquiladas), as mesmas certezas (já tão incertas como as daqueles dias), e a falta de decisão (que se divide entre os lados, que anunda todos ao redor). A escolha é uma das coisas mais duras da vida porque a consequência é causa sua. Só sua. E viver uma vida de arrependimentos é horrível assim como viver uma vida de frustração também é. O que falta é o equilíbrio. Se existisse isso entre a gente, tudo estaria perfeito. Eu saberia o que fazer, os átomos estariam em posições mais harmoniosas, tangenciando conclusões mais óbvias, claras e fáceis. Principalmente fáceis. Simplicidade é tudo. É a base, o meio, o topo. É como tento levar a vida, que faz questão de me provar que eu só estou cada vez mais distante desse balanço saudável. E agora? O que fazer? Tenho que escolher entre o ele ou o ele, a ela ou o ele, o sim e o não, o certo e o errado. Não quero, não sei fazer isso. Não vou suportar o que está por vir, com certeza. Ainda mais sabendo que eu terei que arcar sozinha com as consequências. Entre uma coisa e outra, minha covardia me aponta o tudo. Eu quero tudo ao mesmo tempo. Mas isso talvez me faça mais mal do que a escolha em si. É, acho que a probabilidade disso ser verdade é maior. O tudo é insuportável assim como uma coisa só. A unidade é crua demais, é dura, é a realidade. E o tudo... o tudo é o conforto das possibilidades. Ou não. Esse conforto, na verdade, me machuca as vezes. Quase todas as vezes. O óbvio é mais tranquilo, mais certo, apazigua. O muita-coisa-tudo-junto consome. Eu me tranformo no ser consumido porque o tudo é demais pra mim, eu não consigo absorver, assimilar, organizar, escolher, enfim, algo da bagunça. Eu quero você. Eu me quero bem. Eu quero o certo. Mas talvez o errado seja melhor... E acaba que o único aliado que tenho é o tempo. Aliado em termos, já que por culpa dele estou aqui, agora, retrocedendo alguns dias, alguns meses, alguns sentimentos, algumas angustias, vontades, lágrimas, revolta, insegurança, porquês. Remoer, remoer, remoer. Chega, preciso de um basta. Ah, o que que eu tô falando! O basta é horrível, eu consigo te entender, na real. Mas, e se. E se. São muitos deles espalhados por ai, em cada vão das nossas falas, do nosso silêncio, da respiração condicionada, da forma como tudo é em volta quando you're around. Eu preciso de

sexta-feira, 30

I wasn't born to feel. Eu não caibo, não sou suficiente pra comportar o que cresce dentro de mim. E, sei lá, parece que eu sou meu adubo porque é algo incontrolável. Eu deixo de me perceber por um momento e no instante seguinte o mal já está feito, ou melhor, instalado em mim. Instalado e transbordando, sempre crescente, como um ciclo. eu tô cansada dessa liberdade, eu quero sentir de volta, eu quero a resposta, EU QUERO TUDO. mas o tudo me consome muito, meu deus, o que que eu faço, eu nao aguento mais. eu preciso extrasavar, EU PRECISO DE ALGUMA COISA PRA ME DAR UM CHOQUE. SEI LÁ, UM TAPA, UM SOCO, UM SIM. é, um sim! EU TO CANSADA DO NAO, DA NEGAÇÃO! E DAR PRA SER, TEM QUE EXISTIR O SIM PRA MIM. PORQUE, PORRA, É SÓ NÃO, NÃO NÃO. CANSEI DE SER E ESTAR CONTRA A CORRRENTE, EU NAO TENHO MAIS FORÇA PRA ISSO, PRA CONTINUAR ASSIM. A CULPA É MINHA? NAO TEM COMO SER MINHA! NAO SÓ  MINHA! EU PRECISO DE UM CONFORTO, DO ESTAVEL, de alguma coisa. um sim cairia tão bem. a certeza de se jogar, sem medo, e poder pensar sempre na possibilidade de sucesso... o que é inevitavelmente impossivel de ter em mim porque nao tenho essa noção, sou cética. se nunca vivi, é porque nao existe. só me aparece não, só recebo socos, REAÇÕES, do não. do não e suas consequencias, que sao sempre, sempre tragicas. e sabe por que eu me frustro? porque existe sempre a construção, o pressuposto de algo promissor mas que no final nunca dá em nada. nunca deu. como que vai existir esperança dentro de mim, assim? não dá. é injusto. ah, por favor. sim?

segunda-feira, 19

E lendo o livro que estou, Admirável Mundo Novo, comecei a discutir com minha mãe sobre um assunto que me incomoda, particulamente. Não pelo assunto em si, mas como ele é repercurtido na vida. Vamos a questão, enfim: a natureza do ser humano, o seu estado natural, puro. Que não existe mais, infelizmente. Tudo se vendeu, se tornou mecânimo, proposital, automático, industrial, pornográfico, sujo, promiscuo, duvidoso, ilegal, imoral, anoréxico, preconceitos, conceitos, tudo não é mais. Sabe, o verbe ser/estar, to be, être e avoir - que eu tive o prazer de aprender em outras línguas, podendo ser redundante sem nem perceber - não é tem mais a essência ingênua que tinha. Porque eu gosto da ingenuidade, mas não posso me dar ao luxo de lidar com ela. De sê-la. Senão o mundo me engole. Hoje em dia, sem a sagacidade não se é nada. Porque ninguém é mais natural, ninguém mais pensa como deveria pensar. Estamos todos moldados nessa bolha gigante, invisível e intransponível que o tempo, o passar do tempo, a história - que nós, sejamos sinceros - nos colocamos. Eu ainda me sinto meio perdida, frustrada, decepcionada com o mundo. Porque é tudo tão carnal, tão sem a noção não limitada das coisas, entende? Isso sufoca, faz mal. A gente precisa respirar, arejar o cérebro, as ideias... não sei, não sei. Continuar assim que não tá certo. É feio, baixo demais estar. Quem, em sã consciência, aceitaria tal pobreza? Hm, ai é que está. Quem é são hoje em dia? Ser, estar, são e salvo. Não, não dá mais. Não dá mais pra juntar todas essas palavras ao mesmo tempo. O que eu fiz aqui é um pecado, me perdoe. Ou me condene, já que assim sou/estou. Mas o que eu discuti, particulamente, com minha mãe foi a questão da sexualidade. O que é surreal - assim como toda a proposta do livro, admito -  mas que preciso concordar que o surreal poderia, sim, ser mais benéfico que o real. Eu não posso falar de coisas porque sou isso, não se deve agir de tal forma porque você seria vista como uma pessoa assim, e porra, dá um tempo! Como que tudo virou tão, tão... sei lá, tão insuportável? Não há uma válvula de escape óbvia, simples, clara, pura, nua. Não, nua não. Nua é promiscuidade. Não pode. Não dá. Não é. Não está. Não, negue, negue até a morte. Eu? Eu não. Não fui eu. Não sou eu. Oras. Que inferno. We're living in a hell and we don't know. Não. Nós sabemos e nos adaptamos a isso! Olha, hahaha. Nós, seres humanos, capazes de pensar, racionais, com mil neurônios, mil átomos, mil avanços, mil merdas inuteis que resultam nessa vida mediocre e regulada por uma sociedade idiota que me sufoca, me afoga. Me sinto numa correia, ou melhor, numa coleira. E ainda tem a coragem de dizer que a liberdade reina, hoje em dia. Reina, reina da forma mais triste possível: não sendo, não estando, não podendo, não usufruida, não permitida. Negada.

quarta-feira, 07

(...) e eu crio essas pessoas na minha cabeça pra encher os vazios da minha vida, pra completar o que não devia nem estar vazio. porque não deve existir esse espaço. afeta a saúde. mental, emocional, física mesmo, por que não? e esses personagens, que os rostos aleatórios na rua me inspiram a criar, acabam sendo personificados. é um hobbie. o hobbie que eu faço pra desafogar meus pulmões do líquido venenoso do tédio. porém, como quase tudo que eu faço, é falho. muito falho. e negativo. é só mais uma frustração. sempre acaba sendo só mais uma decepção. criar vidas não é uma boa ideia, vide o exemplo de frankestein: morreu pela sua criação. e eu, além de criar algo mortífero, me traio, me mato, me engasgo com o veneno de propósito. me entorpeço mesmo sabendo que não vale a pena. e eu crio.

quarta-feira, 23

Queria poder falar pra alguém: "você é bonito". Poder falar essas coisas agradáveis sem criar consequências, sequências de fatos, obrigações, valores, títulos, prejuízos, dor, desilusão. Nada. Poder falar "você é insuportável, você me mata" e causar o meu alívio na discórdia conjunta, haha. Do que que eu tô falando? Mas eu sinto falta dessas coisas, de verdade. Já devo ter me perdido tantas vezes que dá pra fazer uma biografia de alguém que não existe com tudo que eu deixei de falar. Com tudo que eu penso ter falado mas não falei. Porque eu geralmente falo o que não se deve, e o que é importante, o que eu ficaria feliz e grata em ter registrado já se perdeu nas conexões intermináveis, intediáveis, inviáveis de meu cérebro. Mas ele era tão bonito, de fato. Por que eu não falei pra ele? Não tinha nada a perder já que não o tinha, absolutamente. E ele ia ficar feliz, claro. E ele ia se lembrar de mim - assim como eu não esqueço aquela mãe tirando foto daquela filha naquela luz amarela, tão bonita como o menino -  como o menino que eu não falei que era tão bonito. Não esqueço. E não devo. Porque o que eu não externo, eu não esqueço. O arrependimento é a chave secreta para se guardar qualquer coisa que seja. E quer saber por que muitas vezes não me permito externar? Porque há o depois. Existe a pré-noção do pós-fato. Afinal, estaria desestabilizando o estável; me aproximaria dele, falaria, cortando o silêncio métrico do metrô, que ele era muito bonito e... E ai? Foi por isso que eu não disse. Porque eu espero sempre alguma coisa de algo. É lógico, há de concordar. Porém, falho. Tão falho que hoje estou aqui, ainda lembrando do que não fiz. E esquecendo do que já fiz. Da próxima vez, eu falo. Mentira, haha. Ah! Porque já externaram pra mim uma vez. Ah... foi tão lindo. O menino me deu uma flor. No meio da rua, ele resolveu me dar uma flor. Ele não pensou no depois, tanto que nada aconteceu. Eu não reagi, simplesmente. Quando se faz algo não se esperando nada, a reação não existe. Você não reage a um ato sem premedita-lo. E foi fielmente isso que aconteceu. Eu não reagi, nada aconteceu, hoje eu o levo pra sempre dentro dos memoráveis momentos de minha ordinária vida. De qualquer forma, você continua sendo muito bonito. Um dia você saberá - se já não o sabe.

domingo, 20

E eram quase oito horas minutos atrás e agora já são nove horas e alguns minutos.
Porque a ordem dos fatores altera o produto, assim como a posição de uma vírgula altera completamente o sentido do que eu quero dizer. do que eu, quero dizer. vê?
E o abre aspas, computador cada vez mais usado no mundo é um importante instrumento de trabalho para o escritor, fecha aspas, sem vírgula.
E eu não quero argumentar a argumentação, não quero fazer nem acontecer. Apesar deu ter que.
E as pessoas são tão chatas, e a vida é tão enfadonha. Estou neurastênica, de fato. Eu juro. Eu prometo. Eu  fui e não serei o que jamais conceberei e entenderei na ridicularidade mínima que é minha capacidade de ser capaz e de não o ser. De ouvir e escutar, de querer, querer tanto mais tanto que nunca pode acontecer porque é pressão demais ao redor dos atomos e para se encontrarem eles precisam justamente da naturalidade, da normalidade, da não neurotinia da porra do cu de alguma merda fedida. Que se exploda, eu não existo.

sábado, 5

então é isso: o que eu quero não existe. o que os filmes mostram e o que os livros fazem florescer em minha mente de forma tão doce não passa de uma farsa. todos e tudo sempre estão mentindo pra mim. tragam a felicidade e escarram a ilusão em cima dos meus anseios. estou triste e com medo. porque há de existir, em algum lugar ou momento da minha vida o que eu quero: plenitude de sentimentos.

quarta-feira, 2

sou um pouco tediosa. e pra piorar, sou pior. sou pior porque não sei ser melhor. e talvez nem queira. porque o melhor demanda muito, e eu sou muito pouco. conclusão: seria mais fácil eu melhorar do que aumentar o meu pouco pra ser um pior de respeito. mas acho desnecessário focar em algo tão irrelevante assim. (como se algum dia algum dia alguns dos meus focos fossem válidos) mas enfim. constatei esses dias que as coisas em mim acontecem. não só em mim mas ao meu redor também. sim, óbvio. o mundo vive e você está nele; coisas acontecem e você acaba sendo parte desse acontecimento. mas vai além disso, além desse acontecer. o que quero dizer e tentar explicar a mim mesmo é que não temos controle sobre tudo. há coisas que tem sua própria vontade, seu sopro, seu vento, sua direção... independente do que você faça ou seja. e eu sou muito agradecida - obrigada - de que isso seja assim. de que a vida, constantemente, seja assim. caso contrário, eu ficaria estática - por não valer a pena. sim, porque não vale a pena, literalmente. viver me cansa e eu já sou cansada demais. ai, tá vendo. eu sou uma rotina de pessimismo, de negatividade. justo eu que tanto ligo pra essas coisas abstratas de energia, de poder das palavras e afins. oras, se eu penso de tal forma, atrairei coisas do mesmo nível e consequentemente serei frustrada e farei os outros frustrados. ----- não consigo entender o porque de não conseguir falar o que eu quero. estou em rodeios há linhas e linhas e não consigo simplesmente dizer o que quero. nem aqui, nem em nenhum outro momento:

sábado, 22

não é lindo saber que sempre vai existir alguém melhor que você? eu acho um lindo melancólico. a beleza vem do fato de te motivar uma constante superação, uma melhoria individual em pró a você mesmo. o melancólico é muito óbvio porque sempre existe lado ruim em tudo; a consistência desse é pelo simples motivo de você nunca se bastar. não só a você próprio mas principalmente ao outro. estamos sempre olhando ao redor, sempre testando nossas satisfações. se em um momento supus ter descoberto o limite da minha vontade, no instante seguinte me vejo nunca saciável. e tudo isso acontece por uma razão simples (tecnicamente): não somos perfeitos. não existe perfeição no mundo - à exceção dele próprio. mesmo sendo lindo e melancólico, eu sempre fico com o triste. o lado bom nunca me basta, nunca. imagina se eu ia me justificar internamente ao dizer pra mim mesma: faz bem pra você. faz bem pra mim o que? me sentir uma bosta? sentir que nunca vou ser o bastante? principalmente pros outros. porque somos substituíveis. ridiculamente fácil de sermos substituídos. entende a gravidade disso? entende? conseguir ser consistente pra alguém - até pra você mesmo - é difícil. apesar da nossa massa corporal, é complicado transferir essa existência pro transcendível, pro abstrato. até porque ele não existe, hahahaha. é isso, hahahaha. ele não existe. que estúpida. o abstrato foi feito pra não existir; sendo assim, nos limitamos a permanecer nessa esfera mesquinha do existencial. queria ser valorizada. queria ser valorizada externamente pra depois me auto-valorizar. shame on me. mas já me acostumei. ah cara, que merda. porra, não quero ser que nem você mas não quero me estagnar no medíocre que sou. o que fazer? ah, lembrei. sabe quando me sinto valorizada? quando uma criança olha pra mim. elas sempre olham pra mim; me sinto honrada. sabe, é um olhar sem contestação, sem julgamento. é pura curiosidade de enxergar o material do outro e isso basta - e não substitui. porque não existe ninguém igual a ninguém e cada um é de um jeito no olhar delas. pena que o olhar delas não é o que me basta, o que eu quero. e eu nem sei o que quero, se quero o que quero, se mereço o que quero. ah, por favor, só uma vez, que só uma vez eu seja algo em alguém.

quarta-feira, 19

hoje eu vi um filme e fiquei pensando: eu se eu morrer sozinha? porque eu me digo independente, mas eu sei que é mentira. me pergunto: e eu se eu morrer sozinha? não digo na hora da morte em si, mas sei lá, passar os últimos anos de minha vida esquecida não ia ser algo agradável. ninguém quer isso. porém, temos que lidar com a possibilidade. ninguém quer lidar com essa possibilidade, oras. pois você deveria, julia. não, Julia. hoje vamos colocar seu nome com letra maiúscula pra fazer jus a algo que você não é. focus. ou não, né. focar num assunto desse, que coisa insuportável. larga da sua tipicidade, que merda. não te aguento mais, não me aguento mais. não quero mais ser. preciso me organizar. acho que vou passar a usar uma agenda. haha, que engraçado. eu, querendo definir as coisas concretamente. isso nunca passou no irreal do meu imaginário. que medo. será que eu quero me organizar? será que eu preciso e quero fazer tudo o que eu tenho pra fazer? improvável. e se não for essa a vida que eu quero pra mim? e se eu tô escolhendo tudo errado? você vai ser infeliz, óbvio. apesar de que todos somos um pouco assim. eu só era feliz quando criança, tenho dito. I shall be free, I shall be free. Rocket. que momento. tão bom quando a música fala o que você quer ouvir. tão bom quando eu não me permito escrever tamanhas inutilidades sem propósito algum. não deveria estar aqui. e esse texto vai terminar com uma ruptura porque é o que eu tô precisando pra minha vida. uma ruptura entre a julia de sempre, mesma, igual, constantemente inconstante pra uma Julia que sabe o que faz ou, pelo menos, quer saber o que fazer. ah, foda-se. tchau.

segunda-feira, 10

é, simplesmente não dá. não dá pra vida me proporcionar um momento de felicidade plena, sem interferências negativas. e a culpa é minha? deve ser. a vida em si não tem controle sobre nada. eu sou meus atos, os fatos são consequências deles. e a vida é o que mesmo? ah sim, os fatos. a realidade. a minha tão temida amiga. sim, amiga. tudo que me causa horror deve ser algo bom, deve ser algo sobre o qual eu não deveria me sentir dessa forma. talvez seja isso: o bom me assusta e por isso, inconscientemente, atraio essas negatividades pra minha vida. porque eu já disse e não tenho preguiça de repetir: a culpa deve ser minha. afinal, se não fosse pela minha insegurança, ridicularidade, babaquice, medo, ilusão, vontade... enfim, se não fosse por muitas coisas originadas em mim, nada disso estaria acontecendo. eu estaria bem, feliz e bem feliz - por que não? porque não, oras. você não nasceu pra isso, aceite. não aceito. como posso aceitar algo desse nível? não é de meu feitio. você que não sabe, julia. sei sim, alguma coisa devo saber. pior que não. não sei mesmo. ao soprar as velas do meu aniversário, na hora de fazer o desejo, tudo some da minha cabeça. o fogo do palito sempre me absorve e minha mente fica uma mistura de azul, amarelo e calor. e sabe aquele aperto na boca da barriga? não é bom sinal. e sabe a força pra respirar fundo? eu preciso de uma confirmação. de qualquer uma. tanto boa quanto ruim. tanto verdade quanto mentira. simplesmente preciso de algo pois o impalpável só me agrada de vez em quando. essa incerteza transforma minha vida desgostosa. mas e se não era pra ser? oras, quem decide isso? a vida? a vida não decide nada, já falei. destino então. que destino quê. a força está em você. você que pode raciocinar, quer mais que isso? quero. quero a ausência de tudo que tenho. quero o outro lado, o externo, o impalpável que não me amedronta, o bom que me assusta, o amor que eu não sei sentir, o choro que eu sei chorar, a música que não sei fazer, falar o que não devo, ouvir o que não quero. estou fadada ao insaciável. mas por que? porque não pode ser feliz uma única vez na vida? não é possível que sempre a lástima esteja reservada pra mim. ninguém pode ter isso como companhia. talvez a sua constante pergunta de "como eu aguento até hoje?" não seja tão em vão, julia. eu me torturo. acho que é isso também. a culpa é minha, só pode ser. eu sempre me tento em botar a culpa em alguém, no misticismo, mas não. não há desculpa que me absolva desse pecado. é só falar pra mim, na cara. seja direto, se exponha; eu me exponho mais ainda. é isso. é tão simples e é isso. me tira daqui, por favor. enfia de vez a faca no estômago ou tira a ponta fria de cima da minha pele. a angustia me consome e eu já não sou muito depois do resto que me tornei.

domingo, 25

"O que você tanto escreve ai, Julia?", "Tá falando com quem?". Céus! Que desastre. Não sei o que estou escrevendo e porque deveria estar falando com alguém, obrigatoriamente? Que limitação trágica, desumana, angustiante... O normal é escrever o que não se percebe, assim como ouvir música em uma língua que você não entende; nesse momento você está no cru do momento, não absorvendo o teoria mas sim a literariedade da coisa. E me fala, onde isso é tão estranho ou preocu.. na real. EU DESISTO. DESISTO. QUE MINHA SENSIBILIDADE DESAPAREÇA, QUE MINHA ALMA VÁ EMBORA E QUE TUDO SE EXPLODA. QUE TUDO SE EXPLODA.

terça-feira, 23

Sabe a expressão "graças a Deus"? Pois então. Não vejo termo mais injusto que esse. Como assim, tudo é pela graça de Deus? E eu, e meu mérito? Quem se atreve a dizer que a minha capacidade advém de uma força suprema, impalpável, inatingível? Está errado. E errado está pelo simples fato de não estar certo, concorda? Eu concordo. Eu tenho minha força, que não é suprema nem divina como a de Deus mas que está aqui, me sustentando, permitindo minha vida prosseguir. E meus pensamentos, minhas idéias? Por que razão devo venerar isso como se fosse algo da autoria de um alguém que nem comparado comigo pode ser? Que falta de estima das pessoas, de uma certeza da sua estruturação, de seus limites... O fato de ser uma pessoa em si. E aceitar isso. Sim, porque como relatado, nada nunca é feito por nós e se erramos, pedimos desculpas ao termo em letra maiuscula, se acertamos, foi por causa Dele, se somos, se não somos... No final, viramos nada. Viramos o nulo que é a unipresença desse Tal. Tenho medo do que estou falando pode representar, mas não me interpreto. Não vale a pena. Simplesmente acho que mereço um pouco de crédito, de valor, entende? Estou aqui, em matéria, palpável, atingivel, superável... caramba, tudo isso não vale mais que a perfeição dos céus? Todos os meus erros não tem o mesmo peso que a ausência de defeitos de Deus? Não, não tem. E eu lhe digo porquê, não se angustie por tão pouco; nós, seres humanos, enxergamos a mágica no que não alcançamos, no que não podemos ter ou ser. Sabemos que somos mediocres demais para sermos divinizados por nós mesmos. E eu entendo isso, não digo o contrário. Pelo contrário, posso até dizer que faço parte dessa massa. Porém, me reconheço. Eu consigo me olhar no espelho e ver a beleza da imperfeição. Porque isso é o real, é isso que me impressiona. - E o que me surpreende é esse fato não produzir o mesmo efeito em você. - Como poderia não ser assim, me diga? Pra que me prender ao irreal se o que eu tenho em mãos está aqui pertinho de mim: está em mim. Que é o que eu sou. Que é tão imperfeito como a perfeição do céu e seu espelho, mar. Que é tão desorganizado como a ordem dos dias e das noites. Que é tão humano como a imagem de Deus. "Graças a mim, me fiz perfeição com imperfeições." Assim seja, amém.