sexta-feira, 30

I wasn't born to feel. Eu não caibo, não sou suficiente pra comportar o que cresce dentro de mim. E, sei lá, parece que eu sou meu adubo porque é algo incontrolável. Eu deixo de me perceber por um momento e no instante seguinte o mal já está feito, ou melhor, instalado em mim. Instalado e transbordando, sempre crescente, como um ciclo. eu tô cansada dessa liberdade, eu quero sentir de volta, eu quero a resposta, EU QUERO TUDO. mas o tudo me consome muito, meu deus, o que que eu faço, eu nao aguento mais. eu preciso extrasavar, EU PRECISO DE ALGUMA COISA PRA ME DAR UM CHOQUE. SEI LÁ, UM TAPA, UM SOCO, UM SIM. é, um sim! EU TO CANSADA DO NAO, DA NEGAÇÃO! E DAR PRA SER, TEM QUE EXISTIR O SIM PRA MIM. PORQUE, PORRA, É SÓ NÃO, NÃO NÃO. CANSEI DE SER E ESTAR CONTRA A CORRRENTE, EU NAO TENHO MAIS FORÇA PRA ISSO, PRA CONTINUAR ASSIM. A CULPA É MINHA? NAO TEM COMO SER MINHA! NAO SÓ  MINHA! EU PRECISO DE UM CONFORTO, DO ESTAVEL, de alguma coisa. um sim cairia tão bem. a certeza de se jogar, sem medo, e poder pensar sempre na possibilidade de sucesso... o que é inevitavelmente impossivel de ter em mim porque nao tenho essa noção, sou cética. se nunca vivi, é porque nao existe. só me aparece não, só recebo socos, REAÇÕES, do não. do não e suas consequencias, que sao sempre, sempre tragicas. e sabe por que eu me frustro? porque existe sempre a construção, o pressuposto de algo promissor mas que no final nunca dá em nada. nunca deu. como que vai existir esperança dentro de mim, assim? não dá. é injusto. ah, por favor. sim?

segunda-feira, 19

E lendo o livro que estou, Admirável Mundo Novo, comecei a discutir com minha mãe sobre um assunto que me incomoda, particulamente. Não pelo assunto em si, mas como ele é repercurtido na vida. Vamos a questão, enfim: a natureza do ser humano, o seu estado natural, puro. Que não existe mais, infelizmente. Tudo se vendeu, se tornou mecânimo, proposital, automático, industrial, pornográfico, sujo, promiscuo, duvidoso, ilegal, imoral, anoréxico, preconceitos, conceitos, tudo não é mais. Sabe, o verbe ser/estar, to be, être e avoir - que eu tive o prazer de aprender em outras línguas, podendo ser redundante sem nem perceber - não é tem mais a essência ingênua que tinha. Porque eu gosto da ingenuidade, mas não posso me dar ao luxo de lidar com ela. De sê-la. Senão o mundo me engole. Hoje em dia, sem a sagacidade não se é nada. Porque ninguém é mais natural, ninguém mais pensa como deveria pensar. Estamos todos moldados nessa bolha gigante, invisível e intransponível que o tempo, o passar do tempo, a história - que nós, sejamos sinceros - nos colocamos. Eu ainda me sinto meio perdida, frustrada, decepcionada com o mundo. Porque é tudo tão carnal, tão sem a noção não limitada das coisas, entende? Isso sufoca, faz mal. A gente precisa respirar, arejar o cérebro, as ideias... não sei, não sei. Continuar assim que não tá certo. É feio, baixo demais estar. Quem, em sã consciência, aceitaria tal pobreza? Hm, ai é que está. Quem é são hoje em dia? Ser, estar, são e salvo. Não, não dá mais. Não dá mais pra juntar todas essas palavras ao mesmo tempo. O que eu fiz aqui é um pecado, me perdoe. Ou me condene, já que assim sou/estou. Mas o que eu discuti, particulamente, com minha mãe foi a questão da sexualidade. O que é surreal - assim como toda a proposta do livro, admito -  mas que preciso concordar que o surreal poderia, sim, ser mais benéfico que o real. Eu não posso falar de coisas porque sou isso, não se deve agir de tal forma porque você seria vista como uma pessoa assim, e porra, dá um tempo! Como que tudo virou tão, tão... sei lá, tão insuportável? Não há uma válvula de escape óbvia, simples, clara, pura, nua. Não, nua não. Nua é promiscuidade. Não pode. Não dá. Não é. Não está. Não, negue, negue até a morte. Eu? Eu não. Não fui eu. Não sou eu. Oras. Que inferno. We're living in a hell and we don't know. Não. Nós sabemos e nos adaptamos a isso! Olha, hahaha. Nós, seres humanos, capazes de pensar, racionais, com mil neurônios, mil átomos, mil avanços, mil merdas inuteis que resultam nessa vida mediocre e regulada por uma sociedade idiota que me sufoca, me afoga. Me sinto numa correia, ou melhor, numa coleira. E ainda tem a coragem de dizer que a liberdade reina, hoje em dia. Reina, reina da forma mais triste possível: não sendo, não estando, não podendo, não usufruida, não permitida. Negada.

quarta-feira, 07

(...) e eu crio essas pessoas na minha cabeça pra encher os vazios da minha vida, pra completar o que não devia nem estar vazio. porque não deve existir esse espaço. afeta a saúde. mental, emocional, física mesmo, por que não? e esses personagens, que os rostos aleatórios na rua me inspiram a criar, acabam sendo personificados. é um hobbie. o hobbie que eu faço pra desafogar meus pulmões do líquido venenoso do tédio. porém, como quase tudo que eu faço, é falho. muito falho. e negativo. é só mais uma frustração. sempre acaba sendo só mais uma decepção. criar vidas não é uma boa ideia, vide o exemplo de frankestein: morreu pela sua criação. e eu, além de criar algo mortífero, me traio, me mato, me engasgo com o veneno de propósito. me entorpeço mesmo sabendo que não vale a pena. e eu crio.