quinta-feira, 23

Eu sou uma conformista inconforme. Hm, como explicar? Eu não consigo aceitar algumas coisas, simplesmente não dá. Por exemplo, você. Não consigo superar, porque é tão surreal, tão inexplicavel, tão sem fundamento que eu não entendo o porquê de ser assim como é. É ilógico. Se a base do raciocínio é falha, todo o resto do pensamento se torna falho. Tudo vira uma grande mentira. E é justamente isso que acontece: aparentemente está tudo bem, houve uma superação quando, na verdade, ocorre justamente o contrário, e da pior maneira possível: enrustidamente. Porque quando se lida dessa maneira com as coisas, elas vem a tona e eu me fodo. Eu explodo. E tudo sai voando pelos ares, em cima de mim. Derrubando tudo, de maneira caótica, e quando a onda passa, fica eu e a destruição em volta de mim. Fica a incerteza do que nunca foi. A inconformidade está nisso. Já a conformidade vem do fato que, aparentemente, eu já aceitei isso dentro de mim. Tanto que está aqui até hoje, praticamente imutável. Tão injusto, tão injusto. Outra coisa é: por que eu preciso ser algo? Por que eu preciso ser algo pra poder ser significativa pras pessoas? Pra elas me perceberem como futuro, como prosperidade, como sucesso... Isso é ridiculo. Sufocante. Destruidor. Destrói. Todos os sonhos, as liberdades, as vontades livres... Enfim. Tudo de natural que possa existir dentro de mim. É como um meteoro de realidade, de cotidiano, de ordem, de regramento, de tudo que não satisfaz. De tudo que eu não quero na medida que eu deveria querer. "I shall be free, free, free like these voices inside me." E o que eu sei fazer? Nada. Não sei fazer nada, não sou boa em nada. E a questão é essa: POR QUE eu preciso SABER o que ser, o que eu sei fazer pra SER algo? Ou melhor, pra ser considerada alguém? Eu cansei da métrica da minha vida. E todas as frases seguintes que eu pensei em escrever começaram com "Eu" e algum verbo que eu não consigo conjugar porque nenhum se encaixa ao que eu quero, ao que eu preciso. Não tô inspirada, não fode.

Um comentário:

Claudio Cabral disse...

Malditas letras brancas, só pr'eu não conseguir ler.