Acabei de ver o filme "Comer, rezar, amar". Me acho ridícula por ficar pensativa ao ver um filme desses, mas acho que essa é, simplesmente, a função básica dele. Aquilo de "sendo infeliz juntos para que sejamos felizes por não estarmos separados" foi um baque; foi como me olhar no espelho e não entender o reflexo. Como que, em algum momento, eu já pensei dessa forma? É tão baixo, tão fácil. É o puro e bruto comodismo. E o erro está justamente nisso; em querer sempre está a salvo na mesmice, com medo da revelação da transformação. A mudança é necessária e faz bem. Foi só depois dessa frase, de ouvir isso em um filme, que eu me aceitei. Ou melhor, que eu aceitei minha decisão. Não me arrependo mais, sem usar nenhum artifício justificativo. Ah, a plenitude. Outra coisa que absorvi, como mera identificação pessoal, é a retração a qual eu me submeto, desnecessariamente. Se eu sinto, devo deixar sentir. Eu posso ser e devo me permitir tal coisa. Ao reprimir, eu sufoco e abafo dentro de mim tudo que devia estar sendo externado; proibo tanto esses sentimentos, que eles acabam se tornando um veneno, o oposto do que são. Então, agora, vai ser assim: se está aqui dentro é porque precisa sair. E esvaecendo, amena a turbulência, a sofreguidão de absorver todo o caos ao mesmo tempo. É um processo, apenas. Simples, como tudo deve e pode ser.
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