domingo, 8
E o que que eu tô fazendo? Eu não sou assim. Sei que não sou. Eu pretendo ser, apenas. Mas nunca sou. Acho que nunca fui, de fato. Sei lá, me sinto nunca ter conjugado um verbo. Me sinto "mim". E eu vejo essas coisas bonitinhas e irreais na tv e penso "Ei! Era isso ai. É quase isso ai que eu devia ser." Porque eu sinto minha essência, apesar da contradição. Quer dizer, não é uma contradição indeed. Eu não conjugo verbos externos, de ação e consequências para o mundo. Os verbos pronominais, em que eu ajo e sofro, como via de mão única, esses sim. Esses são constantes e presentes no meu cotidiano. E ai eu me indago, por que? Por que eu não sou como eu sou mesmo? Por que eu tenho que ficar me escondendo por debaixo de, sei lá, 9 Julias (acho que foi esse o número que minha amiga concluiu que eu sou)? Oras, no final acabo sendo elas. Não? Sim. Lógico que sim. Ou não. Depende do ponto de vista. Tudo é uma questão de perspectiva, opinião, noção. Da verdade. É esse o ponto de partida que eu nunca escolhi, que faço questão de evitar, de afastar. Me afastar de mim mesma. Mas também não é por falta de tentativa. Eu já tentei me mostrar, me expor como sou mesmo. Já fui sendo, entende? Porém, como que por ironia da vida, sempre quando me arrisco a dar essa passo do tamanho de um pulo, eu recebo a famosa, a adorada, a forever and ever staying by my side, denial. É sempre assim. Não devo ter sido feita pra ser fiel a mim mesma. Apesar de nunca ter traído ninguém - que não eu mesma, evidente. That's why everything is so messed up in my head. É por isso que eu não sei me expressar e receber a reação esperada, que eu não sei viver sendo eu e reagir como as pessoas esperam, é por isso que eu não sinto e ninguém consegue sentir nada de volta. Simplesmente por eu não saber. Eu não sabendo, as pessoas não entendem. E o que as pessoas tendem a fazer com o que é bizarro? Com o incompreensível? Isso, elas se afastam. Soa o alarme "DANGER" e eu termino sempre igual: inconjugada.
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Um comentário:
Isso de ser... só sendo.
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