sábado, 21

continuo com minha mania de esquecer o que ia escrever. meus textos passam muito rápido pela minha mente, não consigo nem absorvê-los. quem dirá, gravá-los. preciso inventar um outro costume pra recompensar o outro que tanto me atrapalha. minha garganta continua doendo e eu estou rouca. cansei da minha voz assim já, de sentir falar pesado. quero que o vento possa bater nas minhas costas, quero tomar algo tão gelado que faça meu cérebro doer. quero ser a mulher-maravilha, tosse. mentira, não quero não. eu minto muito, não dê confiança. e como o google se atreve a dizer o que eu quero dizer? oras, ele é um simples imortal sem sentimentos, nunca vai me compreender. sou mais que isso, sou tão mais que chego a ser pior. uma mania que não tenho - e que adquiri recentemente - é não querer melhorar o que já está bom. pra quê correr o risco de piorar algo que já está satisfatório? melhor não. sou medrosa, bunda mole. sem-bunda mole. vivo perdendo o fio da meada, sei lá, vai ver nem tenho um fio da meada. acho que crio uma única linha só, com vários fiapos pelo meio do caminho. entrar numa livraria chega a me emocionar, percebi isso hoje. acho bonito ver que existe tanta coisa pra eu poder traçar metas, vejo que motivo pra viver, existe, basta eu escolher. mas me dá medo também, analisar e perceber que não vou conhecer nem metade - imagina, metade - das coisas que queria. é tanta coisa que chega a ser injusto, cruel. mas sou uma sonhadora, não perco as esperanças. a realidade é tão sem graça, prefiro manter a maior porcentagem na ilusão. acho contraditório, eu, que tanto gosto - gosto? nunca parei pra pensar se gosto. sei que faço - de pensar, me interro por um livro entitulado "pensar é transgredir". gosto - e disso tenho certeza - de sentir que a minha opinião pode estar errada, de que tem outra forma de pensar e analisar a mesma coisa. é comovente, no bom sentido. fico agoniada com o vazio que me dá, a falta de palavras, na verdade, da variedade delas. não consigo me expressar com o que sei, é tudo igual, não quero mais falar igual, cadê, cadê elas que fogem, com pernas, criam vida e fogem sozinhas pro meu inconsciente e lá se perdem até que quando eu não quiser, elas vão aparecer de novo. elas brincam comigo, me usam quando não quero usá-las, são pertinentes no momento errado. elas são muito mais do que posso explicar, até porque é com elas que eu explico. elas são tão completas, que elas próprias são usadas como auto-explicação. agoniante. quero minha voz de volta, quero poder falar de novo tudo que eu quero escrever de novo. tá tudo zonzo, tudo bagunçado. elas tão correndo, pra lá e pra cá, meus pensamentos voando em parceria com elas. elas são tudo. elas sou eu, eu me moldo nelas, elas me comandam e eu me deixo levar na esperança e ilusão de que um dia são serei mais dependente delas. palavras. um dia vou escrever sem lê-las.

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