sexta-feira, 14

é muita coisa ao mesmo tempo passando pela minha cabeça, minha coordenação motora é incapaz de conseguir atingir a rapidez dos meus pensamentos, mesmo que eu queira. mesmo que eu queira. ser natural, no sentido de se expressar no momento, no segundo, no milésimo, no nascimento, na criação, de qualquer coisa que eu sinta vontade de expressar é impossível. talvez seja algo que eu necessite e justamente por isso, nunca vou conseguir conquitar. muitas coisas são assim, quando queremos é justamente quando nunca vamos conseguir. mas se essa teoria é uma razão com fundamento, então.. me esqueci, simplesmente esqueci a linha do meu raciocínio. me perdi na música, me perdi no som, me perdi. me perdi no que isso faz comigo. me lembrei. então, deveríamos desistir de tudo. nada vale a pena. mas não é assim. não é assim que eu penso, não é assim que eu quero acreditar que as coisas são. simplesmente não são. posso me iludir, mas simplesmente não são. não quero. eu não consigo me expressar, nem metaforicamente, nem literalmente, nem verbalmente, nem de maneira alguma. não sai da forma que eu quero. talvez não saia porque não há maneira de sair. talvez minha expressão é algo tão denso e condensado que nada é suficiente para funda-la. não me lembro do que escrevi até esse ponto. eu não me lembro de muita coisa, muita coisa que eu devia me lembrar ou apenas queria. minha memória é algo vulnerável, não posso confiar nela. não posso confiar em mim pra muitas coisas. vai ver, coisas são inexistentes por alguém não ter em quem confiar pra conseguir seguir em frente, pra poder se estabilizar e conseguir seguir em frente. eu penso demais, penso demais no que eu falo, no que eu tô falando, quando, na verdade, nada do que eu falo precisa fazer algum sentido. não precisa, ninguém precisa. ninguém. tem vezes que sinto a pulsação do meu sangue no cérebro, sinto ele se espalhando pelo meu corpo, queimando cada veia minha. é gostoso, é uma sensação boa. sinto que existo, que sou uma matéria, um conjunto de átomos em movimento eterno. acabou. tudo que eu queria falar, falei. me expressei. na verdade, não sei. já que o que eu estava sentindo pode ter ido embora justamente por isso, por não ter como fisga-lo e expôr para o mundo, para eu mesma. as vezes tenho medo de não conseguir viver coisas por elas serem muito rápidas e eu não ter essa capacidade de conseguir seguir o momento, a velocidade com que elas acontecem. a velocidade com que eu deveria conseguir e existir da mesma forma.

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