e lá vou eu, em busca de uma coisa que não existe. novamente. a busca incessante pelo vazio que supostamente me preenche. porra nenhuma. sei disso, não vou negar. só não quero encarar, como sempre. se bem que analisando por um lado, já estou encarando isso. a prova é o fato deu estar arrepiada nesse exato momento. ontem vi um filme muito bom, me identifiquei com uma das personagens que abrangia justamente essa minha colocação: o vazio; mais que isso ainda, sua busca. ou a fuga dele, nunca se sabe pra que lado estamos indo. eu, pelo menos, não sei o meu. ela dizia que tinha a convicção de saber o que não queria. achei interessante, porque é um pensamento lógico e fácil de se adequar a qualquer interpretação. me espelhei com isso. e na sensibilidade que a ela foi concebida também. fico um pouco triste em não encontrar pessoas sentimentais do jeito e na frequência que eu queria. veja só, algo que eu quero, explícito. que avanço, que avanço. ou não. vá dizer você, que isso não pode ser muito bem um regresso? pois eu consigo enxergar esse lado. hoje a tarde ouvi também a fala de um ator: "parece que são sempre as mesmas palavras que saem da minha boca." - talvez as aspas não eram pertinentes pelo fato deu não lembrar dos termos originais, abstrairemos - é exatamente isso que eu sinto. que meu vocabulário, necessariamente, terá que ser o mesmo, pra todo o sempre. que nunca haverá palavras novas pra minha expressão e isso me limita de forma sufocante. tudo acaba por me limitar e/ou sufocar em determinado momento. será que é tão dificil ter um espaço? espaço seria uma das grandes soluções pros problemas banais da minha vida. uma lógica: espaço é uma area ocupada por ar, vazia. sendo assim, quero o vazio. voltando ao começo do meu texto, "a busca incessante pelo vazio que supostamente me preenche." é isso. finalmente entrei num acordo mental no final de minhas constatações filosóficas. não minta para si mesma, julia. você é extremos, contradições. sou um todo vazio? meu cérebro travou, não consigo pensar, sem expressões, sem vida. às vezes eu morro e ninguém sabe. até arrisco que não se importam. e que assim seja, quero a fórmula da invisibilidade pra mim durante algum tempo. quero me esconder de mim mesma, me proteger da inconstância que me domina. respira fundo, respira. inspira o nada e se inspire com ele.
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