sexta-feira, 25
Depois de tomar algumas cervejas, minhas percepções corporais aumentam de forma significativa. Sinto meu sangue pulsando do coração pro cérebro, sinto minhas pernas cansadas, minhas mãos solitárias, minha visão frustrada, meus anseios reprimidos.... As vezes penso que perdi e deixei passar muitas oportunidades na minha vida - partindo do princípio que oportunidades seja algo que remete ao futuro, ao que está por vir e que poderia ser -, oportunidades essas que não vou conseguir recuperar. Porque não há substituição. Mesmo que tentemos, uma não consegue aprazer da mesma forma que a outra, e isso é pra sempre. Sinto que tive um refil, uma prévia do que estava por vir, mas acaba por aí. Nunca avancei, ou por não permitir ou por não ser permitida. E é ai que tudo se reprime e que eu imagino e indago, que o será-que-será-que-teria-sido entra constantemente em minhas reflexões. Até porque não é pra sempre que teremos outra chance e é pra nunca que se repetirá o acontecido, ou a forma como se quase aconteceu. Penso em sorrisos, olhares, gestos, mãos, braços, abraços, choros, pernas, posições, suspenses, descobertas, fios de cabelo, beijos e queixos, barrigas e pés... amores. Qu'eu lembro como se fosse um passado, que eu vivi como uma aposta no futuro e que eu sinto falta como se algum dia já tivesse tido.
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