segunda-feira, 9

Hoje eu tive um sonho atormentador que está me doendo até agora. Foi uma impotencia tamanha que senti que acho que cheguei a adoecer por um momento. E o modo como me afligiu, como a reação das pessoas tem um efeito devastador sobre mim aterroriza. Eu queria dizer mas as palavras estavam engasgadas e imaculadas dentro da minha garganta; dali não sairia, apodreceria comigo pra sempre. E eu agia dessa forma meio em contradição, afinal, queria uma resposta das pessoas à minha rebeldia, à minha quarentena, ao meu jejum expressivo... e não. Eu recebia justamente o contrário, e agravado. Era a ignorancia em sua forma mais bruta, direta, ofensiva, real e discreta. Nem o esforço para me atingir tinha; e nem precisava também, eu fazia isso por conta própria. E me abala até agora; lembrar da cena do meu sonho e revive-la em pensamento me destroi, me corroi. Todas as cores do meu pensamento somem, quero convergir tudo ao preto, ao sólido, constante, misterioso e esclarecedor: tudo ao preto. Porque com as cores, tudo toma proporções relativas, nada é completo e total - e nunca será. O meu sombreado é sempre mais forte então o contraste é muito pesado, machuca os olhos. E os que os olhos sentem, o coração é.

Preciso forçar uma mudança, já deu ser assim.

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