essa minha compulsão em substituir as pessoas cansa e me frustra cada vez mais. tento encontrar as mesmas palavras, as mesmas formas geométricas, faciais, o mesmo olhar, a mesma percepção e só encontro opostos. ou nada. entendo a idéia de que nada pode ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo - o que no fundo, é o que tento fazer - mas não compreendo. preencher um vazio é possível e é assim que classifico o que faço. me iludo, me traio, como sempre. descobri uma nova fuga, um outro caminho pra me confortar e amparar: ler. as palavras e a vida que os livros me passam preenchem esse vazio "pessoal" e "sólido" que me falta. eu entro na história, eu me sinto personagem daquilo. crio vidas em mim que nunca existiram. é a ilusão em mim, mais uma vez. ou melhor, eu na ilusão. quase literalmente. se fosse literalmente, posso quase jurar que em muita das vezes seria até melhor do que continuar nesse virtual daqui, nesse virtual e irreal que é tudo o que tenho. na hora da insônia, são as letras em conjunto que me confortam, que me trazem o cansaço mental, já que o físico sempre está instalado em mim. e isso já faz um tempo. até conceitos como esses - insônia, cansaço, tristeza, desânimo - são incompreendidos pelos outros. conceitos como esse, ainda são incompreendidos pelos outros. as vezes eu paro pra pensar e me vem a mente o ato de estar pensando. tento prestar atenção no que está passando pela minha mente, mas quando faço isso, perco o que estava naquela ocasião passeando pelo meu insconciente. perco justamente o que queria alcançar. sempre foi assim. tenho sentido coisas ultimamente e tido percepções fantasmas. de coisas que são apenas minha imaginação e percepção falha. luzes, sombras, insetos, barulhos, sons, irritação, agônia, nada misturada com o tudo. quero que um dia olhem para mim não porque esqueceram dos outros mas porque, justamente pra mim, não deram atenção. não sei o que significa isso que acabei de digitar , afinal, minhas teorias vêm em momentos e em ondas que num piscar de olhos somem e no meu piscar de olhos, já não fazem mais sentido.
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