quarta-feira, 28

por isso que eu queria que meus pensamentos fossem gravados em algum lugar. mesmo as coisas que depois não quisesse lembrar. era só apertar delete. tipo um computador mesmo. não me importo. me importo de não lembrar das coisas que acabei de pensar. acabei mesmo, o quê, há uns 5 minutos. lembrei de algumas coisas. vou representar em ordem não-cronológica, já que lembrar disso é pedir demais. ironismo é uma arma, uma ferramenta magnífica. não tenho muito poder sobre ela, mas gosto. um dia compro ela pra mim. as pessoas vivem usando comigo. vai ver nem usam, mas eu interpreto dessa forma. enxergo ironismo, sarcasmo, frieza, a qualquer hora, em qualquer lugar. hoje percebi que as minhas unhas não são grandes e largas como eu sempre achei que elas fossem. como sempre me falaram que elas são. mas um dia vão olhar pra elas, quando eu tiver acabado de tirar o esmalte, e observar que elas são pequenas, de fato. que o esmalte é um cobertor, esconde e distorce o tamanho real da coisa. minha narina esquerda não tá respirando. faz tempo que o ar não passeia por aquele túnel lá. e faz tempo que eu não passeio por um túnel aqui. me percebi rindo. é estranho se perceber fazendo algo. não perceba. só faça. num dá. tô percebendo cada pêlinho meu levantar cada hora que alguma coisa passa pela minha cabeça. pelo visto, não só por lá, mas por eles também. os prazos, os números que se transformam em datas, estão se esgotando. agônia, ânsia de passar logo. de maneira positiva, por favor. acabei de perceber a ironia de maneira positiva, me emocionou. é possível, tá vendo. um dia vou comprar pra mim. acho que nunca ninguém imaginou alguém vendo um filme da maneira que eu vejo. ou mesmo da maneira não-ordinária que qualquer outra pessoa pode ver. você não pode adivinhar esse tipo de coisa, só imaginar. e vai ver imaginando, você adivinha. mas é raro. e coisa rara é o que mais passa pela minha cabeça. não no sentido exaltar mas no sentido singular. apesar de que pra mim isso é exaltar, apesar de que pros outros não são, apesar de que eu tô aprendendo a não ligar muito pros outros, a não sentir arrepio quando olho no olho de alguém quando a pessoa vem me julgar. ou não, sentir arrepio por causa da covardia que invade o meu corpo, passa pela minha cabeça e chega até meus pêlos. só me sinto confortável comigo mesma, de calcinha e sutian. não se preocupa, suas unhas vão ficar sem cor por um dia. relativo a você de calcinha e sutian. confortável, sozinha.

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