sexta-feira, 15

não quero começar o texto com um verbo como sempre faço. com um "eu" embutido do lado de fora do início da frase. se bem que se eu for analisar dessa forma, não sou tão covarde quanto acho que sou. pelo contrário, sou corajosa involuntariamente, veja você. mas não vamos nos aprofundar em lógicas sem fundamento que eu invento. estou triste porque tudo que eu gosto é recriminado pelos outros, é visto como algo que me faz mal. isso me leva a pensar, ou seja, viver o que sou. apesar de estar triste, ontem vivenciei um momento único. estava ouvindo música com fone e simplesmente ri com a singularidade das palavras que estavam sendo cantadas para mim. consegui ouvir o barulho do meu sorriso por intermédio do meu cabelo, dele se movimentando e arrastando contra o fone, como se adaptando ao meu novo estado de humor ou, ao menos, estado facial. as pessoas podiam se portar de outra forma pra me alegrar um pouco, pra me dar esperança. oras julia, não seja não egoísta. não pense só em você, o mundo não é como eu quero. nunca vai ser. esperar dos outros é perda de tempo. não espere nada de ninguém, apenas se surpreenda com as coisas boas que eventualmente elas podem oferecer. mas, convenhamos, qualquer ser humano com sentimentos não age dessa forma. é não-humano. apesar de existir pessoas que não sintam, disso tenho convicção. pelo menos na minha mente elas existem, e são bem vivas, inclusive. o que eu posso fazer para me auto-satisfazer é continuar sonhando e imaginando, almejando que um dia tudo que eu quero vai se concretizar. é dessa forma que eu vivo, recebendo a realidade para me magoar para sonhar para sobreviver para receber a realidade e assim por diante. foi essa a condição que inventei e decidi para mim. não sei se ela é válida pois tenho dúvida com relação as coisas que eu julgo, assim, por simplesmente achar. vou aceitando e espero crescer com isso. minha melancolia de hoje é diferente. não sei porque, mas a estou sentindo de outra forma. vai ver foi a garganta que voltou a doer depois de um bom tempo que nem lembrava o que era isso. a dor no meu dente que vai e volta. é uma das dores que me faz sentir viva. aquela aguda, que te deixa exausta. deve até ser parecida com alguma outra que ainda não vivenciei. estou me sentindo vazia, sozinha e solitária como sempre. apenas eu e minhas músicas não-bem-vindas. vou hidratar meu corpo, vou fazer as pessoas sentirem o que eu quero que elas sintam quando digo algo ou reajo de certa forma. é assim que tem que ser porque eu quero que seja. não mando nos outros mas tenho um minimo controle sobre meus atos motoros, pelo menos. minhas unhas estão crescendo e minhas costas doendo. tenho memória seletiva, vou usa-la em meu favor. em favor da minha sobrevivência mental. pode ir além julia, a gente se vira com as consequências posteriores.

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