domingo, 20

E eram quase oito horas minutos atrás e agora já são nove horas e alguns minutos.
Porque a ordem dos fatores altera o produto, assim como a posição de uma vírgula altera completamente o sentido do que eu quero dizer. do que eu, quero dizer. vê?
E o abre aspas, computador cada vez mais usado no mundo é um importante instrumento de trabalho para o escritor, fecha aspas, sem vírgula.
E eu não quero argumentar a argumentação, não quero fazer nem acontecer. Apesar deu ter que.
E as pessoas são tão chatas, e a vida é tão enfadonha. Estou neurastênica, de fato. Eu juro. Eu prometo. Eu  fui e não serei o que jamais conceberei e entenderei na ridicularidade mínima que é minha capacidade de ser capaz e de não o ser. De ouvir e escutar, de querer, querer tanto mais tanto que nunca pode acontecer porque é pressão demais ao redor dos atomos e para se encontrarem eles precisam justamente da naturalidade, da normalidade, da não neurotinia da porra do cu de alguma merda fedida. Que se exploda, eu não existo.

sábado, 5

então é isso: o que eu quero não existe. o que os filmes mostram e o que os livros fazem florescer em minha mente de forma tão doce não passa de uma farsa. todos e tudo sempre estão mentindo pra mim. tragam a felicidade e escarram a ilusão em cima dos meus anseios. estou triste e com medo. porque há de existir, em algum lugar ou momento da minha vida o que eu quero: plenitude de sentimentos.

quarta-feira, 2

sou um pouco tediosa. e pra piorar, sou pior. sou pior porque não sei ser melhor. e talvez nem queira. porque o melhor demanda muito, e eu sou muito pouco. conclusão: seria mais fácil eu melhorar do que aumentar o meu pouco pra ser um pior de respeito. mas acho desnecessário focar em algo tão irrelevante assim. (como se algum dia algum dia alguns dos meus focos fossem válidos) mas enfim. constatei esses dias que as coisas em mim acontecem. não só em mim mas ao meu redor também. sim, óbvio. o mundo vive e você está nele; coisas acontecem e você acaba sendo parte desse acontecimento. mas vai além disso, além desse acontecer. o que quero dizer e tentar explicar a mim mesmo é que não temos controle sobre tudo. há coisas que tem sua própria vontade, seu sopro, seu vento, sua direção... independente do que você faça ou seja. e eu sou muito agradecida - obrigada - de que isso seja assim. de que a vida, constantemente, seja assim. caso contrário, eu ficaria estática - por não valer a pena. sim, porque não vale a pena, literalmente. viver me cansa e eu já sou cansada demais. ai, tá vendo. eu sou uma rotina de pessimismo, de negatividade. justo eu que tanto ligo pra essas coisas abstratas de energia, de poder das palavras e afins. oras, se eu penso de tal forma, atrairei coisas do mesmo nível e consequentemente serei frustrada e farei os outros frustrados. ----- não consigo entender o porque de não conseguir falar o que eu quero. estou em rodeios há linhas e linhas e não consigo simplesmente dizer o que quero. nem aqui, nem em nenhum outro momento:

sábado, 22

não é lindo saber que sempre vai existir alguém melhor que você? eu acho um lindo melancólico. a beleza vem do fato de te motivar uma constante superação, uma melhoria individual em pró a você mesmo. o melancólico é muito óbvio porque sempre existe lado ruim em tudo; a consistência desse é pelo simples motivo de você nunca se bastar. não só a você próprio mas principalmente ao outro. estamos sempre olhando ao redor, sempre testando nossas satisfações. se em um momento supus ter descoberto o limite da minha vontade, no instante seguinte me vejo nunca saciável. e tudo isso acontece por uma razão simples (tecnicamente): não somos perfeitos. não existe perfeição no mundo - à exceção dele próprio. mesmo sendo lindo e melancólico, eu sempre fico com o triste. o lado bom nunca me basta, nunca. imagina se eu ia me justificar internamente ao dizer pra mim mesma: faz bem pra você. faz bem pra mim o que? me sentir uma bosta? sentir que nunca vou ser o bastante? principalmente pros outros. porque somos substituíveis. ridiculamente fácil de sermos substituídos. entende a gravidade disso? entende? conseguir ser consistente pra alguém - até pra você mesmo - é difícil. apesar da nossa massa corporal, é complicado transferir essa existência pro transcendível, pro abstrato. até porque ele não existe, hahahaha. é isso, hahahaha. ele não existe. que estúpida. o abstrato foi feito pra não existir; sendo assim, nos limitamos a permanecer nessa esfera mesquinha do existencial. queria ser valorizada. queria ser valorizada externamente pra depois me auto-valorizar. shame on me. mas já me acostumei. ah cara, que merda. porra, não quero ser que nem você mas não quero me estagnar no medíocre que sou. o que fazer? ah, lembrei. sabe quando me sinto valorizada? quando uma criança olha pra mim. elas sempre olham pra mim; me sinto honrada. sabe, é um olhar sem contestação, sem julgamento. é pura curiosidade de enxergar o material do outro e isso basta - e não substitui. porque não existe ninguém igual a ninguém e cada um é de um jeito no olhar delas. pena que o olhar delas não é o que me basta, o que eu quero. e eu nem sei o que quero, se quero o que quero, se mereço o que quero. ah, por favor, só uma vez, que só uma vez eu seja algo em alguém.

quarta-feira, 19

hoje eu vi um filme e fiquei pensando: eu se eu morrer sozinha? porque eu me digo independente, mas eu sei que é mentira. me pergunto: e eu se eu morrer sozinha? não digo na hora da morte em si, mas sei lá, passar os últimos anos de minha vida esquecida não ia ser algo agradável. ninguém quer isso. porém, temos que lidar com a possibilidade. ninguém quer lidar com essa possibilidade, oras. pois você deveria, julia. não, Julia. hoje vamos colocar seu nome com letra maiúscula pra fazer jus a algo que você não é. focus. ou não, né. focar num assunto desse, que coisa insuportável. larga da sua tipicidade, que merda. não te aguento mais, não me aguento mais. não quero mais ser. preciso me organizar. acho que vou passar a usar uma agenda. haha, que engraçado. eu, querendo definir as coisas concretamente. isso nunca passou no irreal do meu imaginário. que medo. será que eu quero me organizar? será que eu preciso e quero fazer tudo o que eu tenho pra fazer? improvável. e se não for essa a vida que eu quero pra mim? e se eu tô escolhendo tudo errado? você vai ser infeliz, óbvio. apesar de que todos somos um pouco assim. eu só era feliz quando criança, tenho dito. I shall be free, I shall be free. Rocket. que momento. tão bom quando a música fala o que você quer ouvir. tão bom quando eu não me permito escrever tamanhas inutilidades sem propósito algum. não deveria estar aqui. e esse texto vai terminar com uma ruptura porque é o que eu tô precisando pra minha vida. uma ruptura entre a julia de sempre, mesma, igual, constantemente inconstante pra uma Julia que sabe o que faz ou, pelo menos, quer saber o que fazer. ah, foda-se. tchau.

segunda-feira, 10

é, simplesmente não dá. não dá pra vida me proporcionar um momento de felicidade plena, sem interferências negativas. e a culpa é minha? deve ser. a vida em si não tem controle sobre nada. eu sou meus atos, os fatos são consequências deles. e a vida é o que mesmo? ah sim, os fatos. a realidade. a minha tão temida amiga. sim, amiga. tudo que me causa horror deve ser algo bom, deve ser algo sobre o qual eu não deveria me sentir dessa forma. talvez seja isso: o bom me assusta e por isso, inconscientemente, atraio essas negatividades pra minha vida. porque eu já disse e não tenho preguiça de repetir: a culpa deve ser minha. afinal, se não fosse pela minha insegurança, ridicularidade, babaquice, medo, ilusão, vontade... enfim, se não fosse por muitas coisas originadas em mim, nada disso estaria acontecendo. eu estaria bem, feliz e bem feliz - por que não? porque não, oras. você não nasceu pra isso, aceite. não aceito. como posso aceitar algo desse nível? não é de meu feitio. você que não sabe, julia. sei sim, alguma coisa devo saber. pior que não. não sei mesmo. ao soprar as velas do meu aniversário, na hora de fazer o desejo, tudo some da minha cabeça. o fogo do palito sempre me absorve e minha mente fica uma mistura de azul, amarelo e calor. e sabe aquele aperto na boca da barriga? não é bom sinal. e sabe a força pra respirar fundo? eu preciso de uma confirmação. de qualquer uma. tanto boa quanto ruim. tanto verdade quanto mentira. simplesmente preciso de algo pois o impalpável só me agrada de vez em quando. essa incerteza transforma minha vida desgostosa. mas e se não era pra ser? oras, quem decide isso? a vida? a vida não decide nada, já falei. destino então. que destino quê. a força está em você. você que pode raciocinar, quer mais que isso? quero. quero a ausência de tudo que tenho. quero o outro lado, o externo, o impalpável que não me amedronta, o bom que me assusta, o amor que eu não sei sentir, o choro que eu sei chorar, a música que não sei fazer, falar o que não devo, ouvir o que não quero. estou fadada ao insaciável. mas por que? porque não pode ser feliz uma única vez na vida? não é possível que sempre a lástima esteja reservada pra mim. ninguém pode ter isso como companhia. talvez a sua constante pergunta de "como eu aguento até hoje?" não seja tão em vão, julia. eu me torturo. acho que é isso também. a culpa é minha, só pode ser. eu sempre me tento em botar a culpa em alguém, no misticismo, mas não. não há desculpa que me absolva desse pecado. é só falar pra mim, na cara. seja direto, se exponha; eu me exponho mais ainda. é isso. é tão simples e é isso. me tira daqui, por favor. enfia de vez a faca no estômago ou tira a ponta fria de cima da minha pele. a angustia me consome e eu já não sou muito depois do resto que me tornei.

domingo, 25

"O que você tanto escreve ai, Julia?", "Tá falando com quem?". Céus! Que desastre. Não sei o que estou escrevendo e porque deveria estar falando com alguém, obrigatoriamente? Que limitação trágica, desumana, angustiante... O normal é escrever o que não se percebe, assim como ouvir música em uma língua que você não entende; nesse momento você está no cru do momento, não absorvendo o teoria mas sim a literariedade da coisa. E me fala, onde isso é tão estranho ou preocu.. na real. EU DESISTO. DESISTO. QUE MINHA SENSIBILIDADE DESAPAREÇA, QUE MINHA ALMA VÁ EMBORA E QUE TUDO SE EXPLODA. QUE TUDO SE EXPLODA.