segunda-feira, 08

Eu já esqueci o que ia escrever. Sempre esqueço tudo que eu tenho pra falar, quando finalmente consigo. Eu preciso de um constante receptor de informações pra nunca nada me escapar, já que fugir de mim mesma é o que mais faço. Me lembrei. Eu gosto de pensar no que poderia ter acontecido, mas não foi. E cada vez que faço isso, é um agulha entrando em minha consciência, fazendo com que eu sinta que ela existe e que a culpa por tal fenômeno - o arrependimento - é exclusivamente minha criação e falta de ação. Mas, incrivelmente, consigo sobreviver a tudo isso. Não completamente, claro. A cada consequência desse efeito, me esvairo em pequenas partes, me consumo em poucos milisentimentros. É como se fosse sempre pequenas reproduções internas, mentais, supositórias, do que eu queria que tivesse acontecido; do que estava em minhas mãos - era só ordenar com elas, organizar, posicionar, ser, enfim, o diretor de alguma cena. Mas não. Eu não faço questão. E é engraçado isso, como as coisas acontecem - como? - como o tempo passa - passa? - e eu continuo a mesmo. Estagno sempre: no mesmo cômodo - comodismo - e no mesmo passo - passatempo. E é basicamente isso, eu me esticando, querendo, tentando, me esforçando, por assim dizer, mas quando eu chego quase lá, quando eu tenho noção de que é só um impulso - talvez um susto - pra que eu finalmente alcance, eu caio, me retraio, simplesmente inconcluo o concluível. O palpável, o concreto. O espaço do abstrato - literalmente - tem que existir pra mim, como se fosse meu ponto se segurança, o aviso de que eu sei onde estou pisando justamente por não estar pisando em lugar algum. Vivendo o nada, sendo o nenhum. E me faz tão bem ler um "a gente" vindo de alguém. Não que seja de verdade, mas saber da existência - sempre a existência - preenche, apraz, satisfaz. Abre um sorriso em meus olhos e o lado negro dos meus pensamentos se acalmam, amenizam, dão lugar ao conforto da luz do amanhecer do sol. Aquela luz que eu gostava tanto, há 2 anos atrás, quando ia pro colégio. E eu tirava foto, e era feliz. Eu registrava aquela felicidade egocêntrica, mas pura. Eu era aquilo que hoje nem em foto existe mais, nem fingindo existe mais. Mas eu tenho as lembranças, os fantasmas de mim mesma, dentro de mim mesma, sendo tudo, menos eu mesma.

domingo, 07

Algumas coisas doem de tão inacreditáveis. Como eu fui capaz? O que eu tava pensando? Deve ser um dom sempre escolher a pior das escolhas. Tão triste. Só faz com que eu tenha mais pena de mim e goste menos do pouco que sou. Não quero mais nada, ou melhor, não quero querer nada. É mais fácil assim e o fácil me apraz. Um dia, quem sabe um dia, vida.

quinta-feira, 7

Acabei de ver o filme "Comer, rezar, amar". Me acho ridícula por ficar pensativa ao ver um filme desses, mas acho que essa é, simplesmente, a função básica dele. Aquilo de "sendo infeliz juntos para que sejamos felizes por não estarmos separados" foi um baque; foi como me olhar no espelho e não entender o reflexo. Como que, em algum momento, eu já pensei dessa forma? É tão baixo, tão fácil. É o puro e bruto comodismo. E o erro está justamente nisso; em querer sempre está a salvo na mesmice, com medo da revelação da transformação. A mudança é necessária e faz bem. Foi só depois dessa frase, de ouvir isso em um filme, que eu me aceitei. Ou melhor, que eu aceitei minha decisão. Não me arrependo mais, sem usar nenhum artifício justificativo. Ah, a plenitude. Outra coisa que absorvi, como mera identificação pessoal, é a retração a qual eu me submeto, desnecessariamente. Se eu sinto, devo deixar sentir. Eu posso ser e devo me permitir tal coisa. Ao reprimir, eu sufoco e abafo dentro de mim tudo que devia estar sendo externado; proibo tanto esses sentimentos, que eles acabam se tornando um veneno, o oposto do que são. Então, agora, vai ser assim: se está aqui dentro é porque precisa sair. E esvaecendo, amena a turbulência, a sofreguidão de absorver todo o caos ao mesmo tempo. É um processo, apenas. Simples, como tudo deve e pode ser.

terça-feira, 05

Esse marasmo que me agonia. É ter tudo pra fazer e não fazer nada. O nada não vale tanto assim pra eu gastar meu tempo com ele. E, incrivelmente, é sempre o que eu faço. Que eu não sei usar meu tempo, eu nem discuto mais, porque a verdade é sempre mais forte que meus argumentos falidos. Queria gastá-lo com pessoas, mas elas nunca vem. Nunca tem alguém. E é toda essa limitação da minha casa, da minha vida social, dos meus horizontes de uma maneira geral, que me limitam. Ando muito expansiva ultimamente; já consumi o ar de todos os espaços vazios da minha vida e agora eu preciso de mais, do novo, do que eu não tenho. Calma Julia, daqui a pouco passa... daqui a pouco você volta a ser o pouco que sempre foi.

quinta-feira, 23

Eu sou uma conformista inconforme. Hm, como explicar? Eu não consigo aceitar algumas coisas, simplesmente não dá. Por exemplo, você. Não consigo superar, porque é tão surreal, tão inexplicavel, tão sem fundamento que eu não entendo o porquê de ser assim como é. É ilógico. Se a base do raciocínio é falha, todo o resto do pensamento se torna falho. Tudo vira uma grande mentira. E é justamente isso que acontece: aparentemente está tudo bem, houve uma superação quando, na verdade, ocorre justamente o contrário, e da pior maneira possível: enrustidamente. Porque quando se lida dessa maneira com as coisas, elas vem a tona e eu me fodo. Eu explodo. E tudo sai voando pelos ares, em cima de mim. Derrubando tudo, de maneira caótica, e quando a onda passa, fica eu e a destruição em volta de mim. Fica a incerteza do que nunca foi. A inconformidade está nisso. Já a conformidade vem do fato que, aparentemente, eu já aceitei isso dentro de mim. Tanto que está aqui até hoje, praticamente imutável. Tão injusto, tão injusto. Outra coisa é: por que eu preciso ser algo? Por que eu preciso ser algo pra poder ser significativa pras pessoas? Pra elas me perceberem como futuro, como prosperidade, como sucesso... Isso é ridiculo. Sufocante. Destruidor. Destrói. Todos os sonhos, as liberdades, as vontades livres... Enfim. Tudo de natural que possa existir dentro de mim. É como um meteoro de realidade, de cotidiano, de ordem, de regramento, de tudo que não satisfaz. De tudo que eu não quero na medida que eu deveria querer. "I shall be free, free, free like these voices inside me." E o que eu sei fazer? Nada. Não sei fazer nada, não sou boa em nada. E a questão é essa: POR QUE eu preciso SABER o que ser, o que eu sei fazer pra SER algo? Ou melhor, pra ser considerada alguém? Eu cansei da métrica da minha vida. E todas as frases seguintes que eu pensei em escrever começaram com "Eu" e algum verbo que eu não consigo conjugar porque nenhum se encaixa ao que eu quero, ao que eu preciso. Não tô inspirada, não fode.

sexta-feira, 17

É isso. As pessoas precisam de mim tanto quanto eu preciso delas: o ciclo existe. Tô angustiada, vida de merda, pessoas de merda, humores de merda. I want to feel like a child now.

sexta-feira, 10

Preciso me decidir. Entre tantas coisas, há a indecisão. Tanta vida, tanta ocasião, tanto movimento e barulho... e eu aqui, estática. Tudo vai passando tão rápido que eu sinto vontade de vomitar; não consigo pensar, assimilar as coisas, e vomito. É sempre assim. Não aguento mais. Sabe, sabe quando você tenta fazer por onde, quando você realmente pensa em dar uma chance do exterior se internalizar em você? Pois eu sei. Sei porque sempre sou assim, mas nunca são comigo. Eu sempre tento me adaptar, mas nunca se adaptam. Nunca. Eu dou o primeiro passo - esperando um retorno, inconscientemente consciente - mas nada. Nunca vem nada em troca. E eu fico aqui, estática. De susto, de frustração... mas nunca desesperançosa. Nunca. Sempre volto a fazer a mesma coisa... Meu problema é esse, acreditar no que está fadado. "Mas as pessoas mudam..." Porra nenhuma. Pessoa é o bicho mais esquisito, mais intolerável, mais insociável que existe. Sempre com seus sempres e nuncas, suas reclamações, lamúrias... ê chatice. Como eu sou chata. E insegura. Poxa, que saco. Não sei o que fazer, por onde começar, se vai ser bom começar de fato. Tem como ficar pior do que já tá? Medo. Por isso que eu gosto de extremos: eles são certeiros, fatais, irremediáveis. E eu tenho medo. Porque eu preciso voltar atrás: eu posso precisar. Acho que isso é ser egoísta. Eu quero ter alguém pra me apoiar, um porto seguro anti-falha, anti-julgamento, anti-cobranças... Acho que eu quero um cachorro. Um cachorro, decidir minha vida e externar o que sinto. É, tá bom pr'um dia só.