quinta-feira, 28.

Nem me lembro mais como se faz pra escrever. Se continuar assim, vou esquecer a essência de minha vida. Ultimamente tenho sentido muita pressão. Na verdade, acho que nem pressão é, mas sim, responsabilidades. Quando estou fazendo algum exercício, apenas o ato de escolher entre 4 - quem sabe 5 - letras e alternativas me consome de forma absurda. Ando meio desequilibrada, admito. Até o pouco pesa muito. E até o muito, que antes eu sabia lidar, agora foge de meu alcance.

Sabe, eu ainda não estou preparada. Pro lado bom de crescer eu já estou pronta e já até faço parte desse mundo. Mas o lado ruim, das pendências... Ah, esse tá longe ainda. Com minhas pernas não consigo sustentar o mundo que estar por vir. Ou melhor, não consigo ME sustentar nesse mundo que estar por vir. Deve ser sinal da atrofia do meu cérebro. E sabe por que eu fico assim? Porque eu quero coisas. Eu, apesar de tudo, ainda tenho sonhos e até vontade de alcançá-los. Em tudo se descobre o lado bom.

Só me peço uma coisa: que não enlouqueça. A ilusão me atrai, mas dai fazer dela base da vida já é demais. Não posso e nem quero ser assim. Me recuso. Aos lunáticos, peço perdão, mas não nasci pra essa profissão. Preciso me testar até o limite e é a partir dai que posso tirar um conceito concreto do que sou e até aonde vou. Me delimitar com uma régua, praticamente. Mas pra que? Pra me sentir uma perdedora? Porque vai saber quantas polegadas de Julia vai se encontrar lá na frente. Que eu não me auto-decepcione já que isso as pessoas fazem demais e de graça pra mim.

O tempo vai correndo, os minutos passando, o relógio apitando, e eu continuo aqui. Colocando pra fora o que nem deveria estar dentro de mim. Preciso de todo espaço focado em palavras, números, matéria, prazos e cansaço. Muito cansaço. Se cansando se percebe que você está fazendo por merecer. E eu ainda vou fazer. Espere só. Vou me ajustar e tudo vai entrar nos eixos. É simples falar e vou fazer com que seja simples fazer. Espere só.

segunda-feira, 30.

Não consigo falar o que sinto na lata, nunca consegui. Acabo sempre por usar o ironismo como fuga. Mas fuga do que? Do fatídico. Me amedontra, é forte demais pra mim. Raro são os que me compreendem de maneira devida. Inverto o sentido do que digo pra não me auto-chocar. Tenho medo de me frustrar. Auto-frustração. Crise existencial. É, combina com meu perfil. Não sou assim por medo do que as pessoas vão achar. Tanto é que as ataco, falsamente, mas ataco. "- Por favor, me perdoa. Não foi isso que quis dizer." E eu sei muito bem que é verdade. Por isso ninguém acredita em mim. Nem eu mesma. As pessoas desaprenderam a escutar umas as outras. Ultimamente, só tem me dado ouvidos. Mas a atenção que só o "escutar" tem... Ah, isso é passado. Ninguém mais tem tempo pra ouvir a papagaiada dos outros. E é ai que eu me ferro, que eu continuo aqui sozinha. Sempre escutando, ou pelo menos tentando, e só me ouvem. Pior que nem berrar ou gritar vai adiantar. Minha voz não é o problema.
Pois bem. Um dia vou ser auto-suficiente. As pessoas estão caminhando pra tal lugar e mesmo que eu não queria, vou precisar. Eu tô cansada do escuro, dos meus conflitos internos, da minha cabeça cheia demais, dos ruidos que ouço, dos meus medos, da falta de amor, de atenção. É pedir demais? Eu já ME pedi demais. Eu me esgotei e agora não tenho por onde fugir. Compartilhar perdeu o significado tão bonito que tinha. Nem deve existir mais essa palavra. E eu me vejo presa dentro de mim mesma, da minha garganta que não fala e dos meus ouvidos que não podem fazer nada além de escutar minha voz falha.

segunda-feira, 23.

Let me live, let me try. So I can be, so I can fly. So you can cry, so you can dry. So I can go, so I can flow. Don't follow me so. I'm growin' up, you think you suck. It's all fucked up. It's not your fault. We are what we got, and I cannot fought against the fact of being what you are not.

Mom, this is something special for you.

quarta-feira, 11.

Acho engraçado esses traquejos sociais impostos e que todos devemos seguir. Chega a ser mais desconfortável se todos fossem como quisessem, seguissem as própria regras (com relação a isso, pelo menos.) Você tem uma obrigação de corresponder ao que a pessoa quer e espera de você. Mas e dai! Ela não tem que ter uma expectativa sobre você, ela só vai se frustrar. Isso só vai fazer com que você seja um robô, uma suposição de você mesmo. Olha que coisa horrorosa. Gosto do espontâneo, do riso por alguma piada idiota ou pelo jeito que a pessoa come um hamburguer desengoçadamente. Isso é a magia das relações, isso sim que deveria ser o obrigatório. Obrigatório ser natural. Mente quem diz que não é assim. Quem nunca tentou impressionar outro alguém? Porque eu, em si, não basta para causar? É tanta pressão e tanta coisa em jogo que sufoca de maneira absurda, agoniante. Você esquece quem é e monta um manequim dependendo da inspiração do momento. Mas não posso julgar dessa forma. O que seria de mim sem minhas máscaras e minhas-eternas-formas-de-ser. Cada pessoa ativa um lado meu e correspondo dessa maneira. Sou muitas ao mesmo tempo. Todos nós somos. Quem descobrir sua essência e morrer sem esquecê-la cumpriu um dos trabalhos mais árduos da vida.

segunda-feira, 09.

Meu medo é esse, nunca crescer. Não o suficiente, pelo menos. E se todos tiverem certos e com razão? E se eu estou prendendo minha vida a alguém que não me solta, que não me deixa viver? Eu preciso voar, nasci pra isso. Não aguento mais pairar enquanto todos começam a me ver menor por já estarem lá em cima. Quando uma grande parte faz algo, a possibilidade de todos estarem errados diminui. Não é possivel que um consenso tão grande não tenha fundamento. Entenda este fundamento! Eu preciso da sua aceitação, eu preciso que você me entenda que eu sou assim e que eu preciso disso. O tempo passa, e se você perdeu o seu, eu não quero perder o meu. Se você me ama mesmo, deixa eu crescer, te mostrar quem eu sou e o que o mundo é da forma que eu vejo. Eu sou alguém menor vai ver por isso, por não poder ter parâmetro pra me comparar. Entenda, mundo, que a culpa não é minha. Eu sei e todos sabem de quem é. Mas eu não consigo me desvencilhar, não consigo. Ninguém pode me dar a resposta também, ninguém nem está ai pra solucionar o problema dos outros. E eu não posso me culpar, eu não sou o centro-da-culpa-do-mundo. Como que eu, mero ser mortal que ainda nem conhece ou tem uma vida, pode ser culpada por tanta coisa? Não dá pra uma pessoa ser tão injustiçada assim, é injusto. Me deixa um pouco, me deixa andar na linha fina e quase cair. Porque cair faz bem! Caindo você cresce, você analisa, você VIVE. E eu preciso de vida na minha vida. Preciso de luz, cor, som, comportamentos, opiniões, lugares. É NATURAL. Me deixa ser natural, me deixa descobrir a minha naturalidade, por favor. Daqui a pouco eu não sei o quanto mais vou aguentar e se vou ter que aguentar. Porque o daqui a pouco tá ali na esquina, esperando pra acontecer. E quando acontecer, vai ser a minha vez. Vai ser a hora deu não pensar em daqui a pouco nenhum e só ser alegria e sorriso. Nem que eu seja só alegria e sorriso, na verdade, quero mesmo sofrer. Quero tudo que me faça crescer. Obrigada.

quarta-feira, 18.

De vez em quando gosto de fazer notas pra não esquecer algumas coisas. Sei lá, algumas percepções que quero moldar na minha forma atual - quem sabe pra ter o futuro em mãos. Só de tentar lembrar meu ouvido começa a doer. Ele cisma em doer quando coloco meu cérebro pra funcionar, sabe-se lá porque. Nem é uma exigência tão grande assim! Meu cérebro suporta pouco assim como eu, talvez, suporte. Ou a relação é utópica já que foi uma conclusão minha. Não confio muito nas conclusões que tiro, sempre acho que elas são superficiais demais, até mesmo infundadas - ou melhor, fundada em coisas sem fundo. Pensa bem, tudo muda, em constante renovação e quem sou eu pra delimitar algo no meio desse furacão incessante de transformação?
Pois bem, voltemos as minhas notas. Algumas me vieram a mente:
  • Que sua contradição não afete as pessoas. (Por exemplo, as contradições de minha mãe quase me enlouquecem.)
  • Se começar a ler um livro, termine-o. (Quantas frases e conclusões mágicas já perdi por pura preguiça.)
  • Sempre observe um detalhe mínimo em cada foto e guarde para si, como algo precioso que só você merecia ter visto.
  • "Erre com fundamento." (Meu professor de Biologia falou esses dias, achei válido.)
Essa pressão no ouvido. Sinto como se fosse algo querendo sair mas não consegue encontrar a válvula de escape. Ainda preciso descobrir as saídas do meu corpo, mal tenho tempo para - ou mal quero - analisá-lo. Sendo assim, continuo com minhas escapes exteriores. As de sempre, um livro por dia, um cd por dia, uma risada por dia, a ansiedade de entrar no computador e o nervosismo do meu pai cortando minhas idéias e linhas de pensamento ao meio. Não o culpo, ele não sabe. Ninguém sabe. Vai ver escrevo aqui inconscientemente. O que, diga-se de passagem, seria muito mais cru e belo do que as mazelas diárias e inúteis de minha pessoa.
Acabei de reparar que tenho medo da palavra amor. Minha cabeça decodifica como algo de muito valor, peso e responsabilidade. Nunca falei que amo alguém por medo, acho. Não. Acho que nunca amei mesmo. E se amasse, preferia fingir que não percebi. Mas deve ser bom, diria embriagante. É, acho que todos esses clichês são verdades. Me desafio a representar de maneira original e única. Não agora, claro. Sou imatura nesses aspectos.
Quero começar a escrever uma história de verdade. Fazer um livro particular até ter coragem de expor ao mundo. Ou seja, ter um livro particular e ponto. Gosto da última página do livro, e quando o fecho, o bafo de ar que bate no meu rosto é sempre único. Como se cada um me trouxesse um novo ar pra respirar, e quando finalmente esse ar chegasse no cérebro, receberia a reação como a resposta da leitura. A finalidade d o livro, por si só, é só uma: fazer você mudar, pertencendo sempre ao "furacão incessante de transformações."

quinta-feira, 5.

eu sou o que sinto falta nas pessoas. já percebi isso.