não é lindo saber que sempre vai existir alguém melhor que você? eu acho um lindo melancólico. a beleza vem do fato de te motivar uma constante superação, uma melhoria individual em pró a você mesmo. o melancólico é muito óbvio porque sempre existe lado ruim em tudo; a consistência desse é pelo simples motivo de você nunca se bastar. não só a você próprio mas principalmente ao outro. estamos sempre olhando ao redor, sempre testando nossas satisfações. se em um momento supus ter descoberto o limite da minha vontade, no instante seguinte me vejo nunca saciável. e tudo isso acontece por uma razão simples (tecnicamente): não somos perfeitos. não existe perfeição no mundo - à exceção dele próprio. mesmo sendo lindo e melancólico, eu sempre fico com o triste. o lado bom nunca me basta, nunca. imagina se eu ia me justificar internamente ao dizer pra mim mesma: faz bem pra você. faz bem pra mim o que? me sentir uma bosta? sentir que nunca vou ser o bastante? principalmente pros outros. porque somos substituíveis. ridiculamente fácil de sermos substituídos. entende a gravidade disso? entende? conseguir ser consistente pra alguém - até pra você mesmo - é difícil. apesar da nossa massa corporal, é complicado transferir essa existência pro transcendível, pro abstrato. até porque ele não existe, hahahaha. é isso, hahahaha. ele não existe. que estúpida. o abstrato foi feito pra não existir; sendo assim, nos limitamos a permanecer nessa esfera mesquinha do existencial. queria ser valorizada. queria ser valorizada externamente pra depois me auto-valorizar. shame on me. mas já me acostumei. ah cara, que merda. porra, não quero ser que nem você mas não quero me estagnar no medíocre que sou. o que fazer? ah, lembrei. sabe quando me sinto valorizada? quando uma criança olha pra mim. elas sempre olham pra mim; me sinto honrada. sabe, é um olhar sem contestação, sem julgamento. é pura curiosidade de enxergar o material do outro e isso basta - e não substitui. porque não existe ninguém igual a ninguém e cada um é de um jeito no olhar delas. pena que o olhar delas não é o que me basta, o que eu quero. e eu nem sei o que quero, se quero o que quero, se mereço o que quero. ah, por favor, só uma vez, que só uma vez eu seja algo em alguém.
quarta-feira, 19
hoje eu vi um filme e fiquei pensando: eu se eu morrer sozinha? porque eu me digo independente, mas eu sei que é mentira. me pergunto: e eu se eu morrer sozinha? não digo na hora da morte em si, mas sei lá, passar os últimos anos de minha vida esquecida não ia ser algo agradável. ninguém quer isso. porém, temos que lidar com a possibilidade. ninguém quer lidar com essa possibilidade, oras. pois você deveria, julia. não, Julia. hoje vamos colocar seu nome com letra maiúscula pra fazer jus a algo que você não é. focus. ou não, né. focar num assunto desse, que coisa insuportável. larga da sua tipicidade, que merda. não te aguento mais, não me aguento mais. não quero mais ser. preciso me organizar. acho que vou passar a usar uma agenda. haha, que engraçado. eu, querendo definir as coisas concretamente. isso nunca passou no irreal do meu imaginário. que medo. será que eu quero me organizar? será que eu preciso e quero fazer tudo o que eu tenho pra fazer? improvável. e se não for essa a vida que eu quero pra mim? e se eu tô escolhendo tudo errado? você vai ser infeliz, óbvio. apesar de que todos somos um pouco assim. eu só era feliz quando criança, tenho dito. I shall be free, I shall be free. Rocket. que momento. tão bom quando a música fala o que você quer ouvir. tão bom quando eu não me permito escrever tamanhas inutilidades sem propósito algum. não deveria estar aqui. e esse texto vai terminar com uma ruptura porque é o que eu tô precisando pra minha vida. uma ruptura entre a julia de sempre, mesma, igual, constantemente inconstante pra uma Julia que sabe o que faz ou, pelo menos, quer saber o que fazer. ah, foda-se. tchau.
segunda-feira, 10
é, simplesmente não dá. não dá pra vida me proporcionar um momento de felicidade plena, sem interferências negativas. e a culpa é minha? deve ser. a vida em si não tem controle sobre nada. eu sou meus atos, os fatos são consequências deles. e a vida é o que mesmo? ah sim, os fatos. a realidade. a minha tão temida amiga. sim, amiga. tudo que me causa horror deve ser algo bom, deve ser algo sobre o qual eu não deveria me sentir dessa forma. talvez seja isso: o bom me assusta e por isso, inconscientemente, atraio essas negatividades pra minha vida. porque eu já disse e não tenho preguiça de repetir: a culpa deve ser minha. afinal, se não fosse pela minha insegurança, ridicularidade, babaquice, medo, ilusão, vontade... enfim, se não fosse por muitas coisas originadas em mim, nada disso estaria acontecendo. eu estaria bem, feliz e bem feliz - por que não? porque não, oras. você não nasceu pra isso, aceite. não aceito. como posso aceitar algo desse nível? não é de meu feitio. você que não sabe, julia. sei sim, alguma coisa devo saber. pior que não. não sei mesmo. ao soprar as velas do meu aniversário, na hora de fazer o desejo, tudo some da minha cabeça. o fogo do palito sempre me absorve e minha mente fica uma mistura de azul, amarelo e calor. e sabe aquele aperto na boca da barriga? não é bom sinal. e sabe a força pra respirar fundo? eu preciso de uma confirmação. de qualquer uma. tanto boa quanto ruim. tanto verdade quanto mentira. simplesmente preciso de algo pois o impalpável só me agrada de vez em quando. essa incerteza transforma minha vida desgostosa. mas e se não era pra ser? oras, quem decide isso? a vida? a vida não decide nada, já falei. destino então. que destino quê. a força está em você. você que pode raciocinar, quer mais que isso? quero. quero a ausência de tudo que tenho. quero o outro lado, o externo, o impalpável que não me amedronta, o bom que me assusta, o amor que eu não sei sentir, o choro que eu sei chorar, a música que não sei fazer, falar o que não devo, ouvir o que não quero. estou fadada ao insaciável. mas por que? porque não pode ser feliz uma única vez na vida? não é possível que sempre a lástima esteja reservada pra mim. ninguém pode ter isso como companhia. talvez a sua constante pergunta de "como eu aguento até hoje?" não seja tão em vão, julia. eu me torturo. acho que é isso também. a culpa é minha, só pode ser. eu sempre me tento em botar a culpa em alguém, no misticismo, mas não. não há desculpa que me absolva desse pecado. é só falar pra mim, na cara. seja direto, se exponha; eu me exponho mais ainda. é isso. é tão simples e é isso. me tira daqui, por favor. enfia de vez a faca no estômago ou tira a ponta fria de cima da minha pele. a angustia me consome e eu já não sou muito depois do resto que me tornei.
domingo, 25
"O que você tanto escreve ai, Julia?", "Tá falando com quem?". Céus! Que desastre. Não sei o que estou escrevendo e porque deveria estar falando com alguém, obrigatoriamente? Que limitação trágica, desumana, angustiante... O normal é escrever o que não se percebe, assim como ouvir música em uma língua que você não entende; nesse momento você está no cru do momento, não absorvendo o teoria mas sim a literariedade da coisa. E me fala, onde isso é tão estranho ou preocu.. na real. EU DESISTO. DESISTO. QUE MINHA SENSIBILIDADE DESAPAREÇA, QUE MINHA ALMA VÁ EMBORA E QUE TUDO SE EXPLODA. QUE TUDO SE EXPLODA.
terça-feira, 23
Sabe a expressão "graças a Deus"? Pois então. Não vejo termo mais injusto que esse. Como assim, tudo é pela graça de Deus? E eu, e meu mérito? Quem se atreve a dizer que a minha capacidade advém de uma força suprema, impalpável, inatingível? Está errado. E errado está pelo simples fato de não estar certo, concorda? Eu concordo. Eu tenho minha força, que não é suprema nem divina como a de Deus mas que está aqui, me sustentando, permitindo minha vida prosseguir. E meus pensamentos, minhas idéias? Por que razão devo venerar isso como se fosse algo da autoria de um alguém que nem comparado comigo pode ser? Que falta de estima das pessoas, de uma certeza da sua estruturação, de seus limites... O fato de ser uma pessoa em si. E aceitar isso. Sim, porque como relatado, nada nunca é feito por nós e se erramos, pedimos desculpas ao termo em letra maiuscula, se acertamos, foi por causa Dele, se somos, se não somos... No final, viramos nada. Viramos o nulo que é a unipresença desse Tal. Tenho medo do que estou falando pode representar, mas não me interpreto. Não vale a pena. Simplesmente acho que mereço um pouco de crédito, de valor, entende? Estou aqui, em matéria, palpável, atingivel, superável... caramba, tudo isso não vale mais que a perfeição dos céus? Todos os meus erros não tem o mesmo peso que a ausência de defeitos de Deus? Não, não tem. E eu lhe digo porquê, não se angustie por tão pouco; nós, seres humanos, enxergamos a mágica no que não alcançamos, no que não podemos ter ou ser. Sabemos que somos mediocres demais para sermos divinizados por nós mesmos. E eu entendo isso, não digo o contrário. Pelo contrário, posso até dizer que faço parte dessa massa. Porém, me reconheço. Eu consigo me olhar no espelho e ver a beleza da imperfeição. Porque isso é o real, é isso que me impressiona. - E o que me surpreende é esse fato não produzir o mesmo efeito em você. - Como poderia não ser assim, me diga? Pra que me prender ao irreal se o que eu tenho em mãos está aqui pertinho de mim: está em mim. Que é o que eu sou. Que é tão imperfeito como a perfeição do céu e seu espelho, mar. Que é tão desorganizado como a ordem dos dias e das noites. Que é tão humano como a imagem de Deus. "Graças a mim, me fiz perfeição com imperfeições." Assim seja, amém.
quinta-feira, 28.
Nem me lembro mais como se faz pra escrever. Se continuar assim, vou esquecer a essência de minha vida. Ultimamente tenho sentido muita pressão. Na verdade, acho que nem pressão é, mas sim, responsabilidades. Quando estou fazendo algum exercício, apenas o ato de escolher entre 4 - quem sabe 5 - letras e alternativas me consome de forma absurda. Ando meio desequilibrada, admito. Até o pouco pesa muito. E até o muito, que antes eu sabia lidar, agora foge de meu alcance.
Sabe, eu ainda não estou preparada. Pro lado bom de crescer eu já estou pronta e já até faço parte desse mundo. Mas o lado ruim, das pendências... Ah, esse tá longe ainda. Com minhas pernas não consigo sustentar o mundo que estar por vir. Ou melhor, não consigo ME sustentar nesse mundo que estar por vir. Deve ser sinal da atrofia do meu cérebro. E sabe por que eu fico assim? Porque eu quero coisas. Eu, apesar de tudo, ainda tenho sonhos e até vontade de alcançá-los. Em tudo se descobre o lado bom.
Só me peço uma coisa: que não enlouqueça. A ilusão me atrai, mas dai fazer dela base da vida já é demais. Não posso e nem quero ser assim. Me recuso. Aos lunáticos, peço perdão, mas não nasci pra essa profissão. Preciso me testar até o limite e é a partir dai que posso tirar um conceito concreto do que sou e até aonde vou. Me delimitar com uma régua, praticamente. Mas pra que? Pra me sentir uma perdedora? Porque vai saber quantas polegadas de Julia vai se encontrar lá na frente. Que eu não me auto-decepcione já que isso as pessoas fazem demais e de graça pra mim.
O tempo vai correndo, os minutos passando, o relógio apitando, e eu continuo aqui. Colocando pra fora o que nem deveria estar dentro de mim. Preciso de todo espaço focado em palavras, números, matéria, prazos e cansaço. Muito cansaço. Se cansando se percebe que você está fazendo por merecer. E eu ainda vou fazer. Espere só. Vou me ajustar e tudo vai entrar nos eixos. É simples falar e vou fazer com que seja simples fazer. Espere só.
Sabe, eu ainda não estou preparada. Pro lado bom de crescer eu já estou pronta e já até faço parte desse mundo. Mas o lado ruim, das pendências... Ah, esse tá longe ainda. Com minhas pernas não consigo sustentar o mundo que estar por vir. Ou melhor, não consigo ME sustentar nesse mundo que estar por vir. Deve ser sinal da atrofia do meu cérebro. E sabe por que eu fico assim? Porque eu quero coisas. Eu, apesar de tudo, ainda tenho sonhos e até vontade de alcançá-los. Em tudo se descobre o lado bom.
Só me peço uma coisa: que não enlouqueça. A ilusão me atrai, mas dai fazer dela base da vida já é demais. Não posso e nem quero ser assim. Me recuso. Aos lunáticos, peço perdão, mas não nasci pra essa profissão. Preciso me testar até o limite e é a partir dai que posso tirar um conceito concreto do que sou e até aonde vou. Me delimitar com uma régua, praticamente. Mas pra que? Pra me sentir uma perdedora? Porque vai saber quantas polegadas de Julia vai se encontrar lá na frente. Que eu não me auto-decepcione já que isso as pessoas fazem demais e de graça pra mim.
O tempo vai correndo, os minutos passando, o relógio apitando, e eu continuo aqui. Colocando pra fora o que nem deveria estar dentro de mim. Preciso de todo espaço focado em palavras, números, matéria, prazos e cansaço. Muito cansaço. Se cansando se percebe que você está fazendo por merecer. E eu ainda vou fazer. Espere só. Vou me ajustar e tudo vai entrar nos eixos. É simples falar e vou fazer com que seja simples fazer. Espere só.
segunda-feira, 30.
Não consigo falar o que sinto na lata, nunca consegui. Acabo sempre por usar o ironismo como fuga. Mas fuga do que? Do fatídico. Me amedontra, é forte demais pra mim. Raro são os que me compreendem de maneira devida. Inverto o sentido do que digo pra não me auto-chocar. Tenho medo de me frustrar. Auto-frustração. Crise existencial. É, combina com meu perfil. Não sou assim por medo do que as pessoas vão achar. Tanto é que as ataco, falsamente, mas ataco. "- Por favor, me perdoa. Não foi isso que quis dizer." E eu sei muito bem que é verdade. Por isso ninguém acredita em mim. Nem eu mesma. As pessoas desaprenderam a escutar umas as outras. Ultimamente, só tem me dado ouvidos. Mas a atenção que só o "escutar" tem... Ah, isso é passado. Ninguém mais tem tempo pra ouvir a papagaiada dos outros. E é ai que eu me ferro, que eu continuo aqui sozinha. Sempre escutando, ou pelo menos tentando, e só me ouvem. Pior que nem berrar ou gritar vai adiantar. Minha voz não é o problema.
Pois bem. Um dia vou ser auto-suficiente. As pessoas estão caminhando pra tal lugar e mesmo que eu não queria, vou precisar. Eu tô cansada do escuro, dos meus conflitos internos, da minha cabeça cheia demais, dos ruidos que ouço, dos meus medos, da falta de amor, de atenção. É pedir demais? Eu já ME pedi demais. Eu me esgotei e agora não tenho por onde fugir. Compartilhar perdeu o significado tão bonito que tinha. Nem deve existir mais essa palavra. E eu me vejo presa dentro de mim mesma, da minha garganta que não fala e dos meus ouvidos que não podem fazer nada além de escutar minha voz falha.
Pois bem. Um dia vou ser auto-suficiente. As pessoas estão caminhando pra tal lugar e mesmo que eu não queria, vou precisar. Eu tô cansada do escuro, dos meus conflitos internos, da minha cabeça cheia demais, dos ruidos que ouço, dos meus medos, da falta de amor, de atenção. É pedir demais? Eu já ME pedi demais. Eu me esgotei e agora não tenho por onde fugir. Compartilhar perdeu o significado tão bonito que tinha. Nem deve existir mais essa palavra. E eu me vejo presa dentro de mim mesma, da minha garganta que não fala e dos meus ouvidos que não podem fazer nada além de escutar minha voz falha.
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