quinta-feira, 12
Escreva sobre o amor. É, ta aí. Um assunto sobre o qual não posso escrever porque é difícil tratar de uma coisa o qual você não faz idéia sobre o que é, digamos, palpavelmente. Talvez seja isso; essa vontade de querer concretizar o amor que arruína qualquer vão escapatório que tal sentimento possa encontrar nas minhas frestas internas. Acho que, no final, a solidão e o amor estão sempre juntas, andando lado a lado, se diluindo ora em um, ora em outro. Secando ao sol, evaporando, revelando os restos quebradiços, os pedaços que conseguiram se unir depois de tamanho desgaste, depois de tamanha provação. E merecem. Lying in the sun, absorving D vitamin. Ah, que delícia. Amor, solidão, sol, praia, noite, teclas e eu. Tá sentindo? Fecha os olhos, fecha. Olha como a pulsação segue o ritmo, como o olho pisca na nota mais aguda, como o seu lábio sorri, como a mente vagueia por cantos obscuros, tão claros, já esquecidos por sua cegueira esperada - diria até programada. Nos meus vãos que precisam ser preenchidos justamente por ele. Ouve a voz dos instrumentos, se joga nessa película fininha; fininha que te envolve, nesse casulo aconchegante, no abafado do conforto. É quase um sopro no coração, uma nova pulsação. Música, amor e solidão.
domingo, 8
E o que que eu tô fazendo? Eu não sou assim. Sei que não sou. Eu pretendo ser, apenas. Mas nunca sou. Acho que nunca fui, de fato. Sei lá, me sinto nunca ter conjugado um verbo. Me sinto "mim". E eu vejo essas coisas bonitinhas e irreais na tv e penso "Ei! Era isso ai. É quase isso ai que eu devia ser." Porque eu sinto minha essência, apesar da contradição. Quer dizer, não é uma contradição indeed. Eu não conjugo verbos externos, de ação e consequências para o mundo. Os verbos pronominais, em que eu ajo e sofro, como via de mão única, esses sim. Esses são constantes e presentes no meu cotidiano. E ai eu me indago, por que? Por que eu não sou como eu sou mesmo? Por que eu tenho que ficar me escondendo por debaixo de, sei lá, 9 Julias (acho que foi esse o número que minha amiga concluiu que eu sou)? Oras, no final acabo sendo elas. Não? Sim. Lógico que sim. Ou não. Depende do ponto de vista. Tudo é uma questão de perspectiva, opinião, noção. Da verdade. É esse o ponto de partida que eu nunca escolhi, que faço questão de evitar, de afastar. Me afastar de mim mesma. Mas também não é por falta de tentativa. Eu já tentei me mostrar, me expor como sou mesmo. Já fui sendo, entende? Porém, como que por ironia da vida, sempre quando me arrisco a dar essa passo do tamanho de um pulo, eu recebo a famosa, a adorada, a forever and ever staying by my side, denial. É sempre assim. Não devo ter sido feita pra ser fiel a mim mesma. Apesar de nunca ter traído ninguém - que não eu mesma, evidente. That's why everything is so messed up in my head. É por isso que eu não sei me expressar e receber a reação esperada, que eu não sei viver sendo eu e reagir como as pessoas esperam, é por isso que eu não sinto e ninguém consegue sentir nada de volta. Simplesmente por eu não saber. Eu não sabendo, as pessoas não entendem. E o que as pessoas tendem a fazer com o que é bizarro? Com o incompreensível? Isso, elas se afastam. Soa o alarme "DANGER" e eu termino sempre igual: inconjugada.
quinta-feira, 5
É irônico como as oportunidades da vida se apresentam, como tudo acaba por ir e voltar. Mas diferente. Não sei, me parece que a ordem dos átomos influenciam nos fatos, no seu desenrolar... Então é meio que impossível, de fato, que as coisas se repitam. But they do. E as mesmas dúvidas (supostamente aniquiladas), as mesmas certezas (já tão incertas como as daqueles dias), e a falta de decisão (que se divide entre os lados, que anunda todos ao redor). A escolha é uma das coisas mais duras da vida porque a consequência é causa sua. Só sua. E viver uma vida de arrependimentos é horrível assim como viver uma vida de frustração também é. O que falta é o equilíbrio. Se existisse isso entre a gente, tudo estaria perfeito. Eu saberia o que fazer, os átomos estariam em posições mais harmoniosas, tangenciando conclusões mais óbvias, claras e fáceis. Principalmente fáceis. Simplicidade é tudo. É a base, o meio, o topo. É como tento levar a vida, que faz questão de me provar que eu só estou cada vez mais distante desse balanço saudável. E agora? O que fazer? Tenho que escolher entre o ele ou o ele, a ela ou o ele, o sim e o não, o certo e o errado. Não quero, não sei fazer isso. Não vou suportar o que está por vir, com certeza. Ainda mais sabendo que eu terei que arcar sozinha com as consequências. Entre uma coisa e outra, minha covardia me aponta o tudo. Eu quero tudo ao mesmo tempo. Mas isso talvez me faça mais mal do que a escolha em si. É, acho que a probabilidade disso ser verdade é maior. O tudo é insuportável assim como uma coisa só. A unidade é crua demais, é dura, é a realidade. E o tudo... o tudo é o conforto das possibilidades. Ou não. Esse conforto, na verdade, me machuca as vezes. Quase todas as vezes. O óbvio é mais tranquilo, mais certo, apazigua. O muita-coisa-tudo-junto consome. Eu me tranformo no ser consumido porque o tudo é demais pra mim, eu não consigo absorver, assimilar, organizar, escolher, enfim, algo da bagunça. Eu quero você. Eu me quero bem. Eu quero o certo. Mas talvez o errado seja melhor... E acaba que o único aliado que tenho é o tempo. Aliado em termos, já que por culpa dele estou aqui, agora, retrocedendo alguns dias, alguns meses, alguns sentimentos, algumas angustias, vontades, lágrimas, revolta, insegurança, porquês. Remoer, remoer, remoer. Chega, preciso de um basta. Ah, o que que eu tô falando! O basta é horrível, eu consigo te entender, na real. Mas, e se. E se. São muitos deles espalhados por ai, em cada vão das nossas falas, do nosso silêncio, da respiração condicionada, da forma como tudo é em volta quando you're around. Eu preciso de
sexta-feira, 30
I wasn't born to feel. Eu não caibo, não sou suficiente pra comportar o que cresce dentro de mim. E, sei lá, parece que eu sou meu adubo porque é algo incontrolável. Eu deixo de me perceber por um momento e no instante seguinte o mal já está feito, ou melhor, instalado em mim. Instalado e transbordando, sempre crescente, como um ciclo. eu tô cansada dessa liberdade, eu quero sentir de volta, eu quero a resposta, EU QUERO TUDO. mas o tudo me consome muito, meu deus, o que que eu faço, eu nao aguento mais. eu preciso extrasavar, EU PRECISO DE ALGUMA COISA PRA ME DAR UM CHOQUE. SEI LÁ, UM TAPA, UM SOCO, UM SIM. é, um sim! EU TO CANSADA DO NAO, DA NEGAÇÃO! E DAR PRA SER, TEM QUE EXISTIR O SIM PRA MIM. PORQUE, PORRA, É SÓ NÃO, NÃO NÃO. CANSEI DE SER E ESTAR CONTRA A CORRRENTE, EU NAO TENHO MAIS FORÇA PRA ISSO, PRA CONTINUAR ASSIM. A CULPA É MINHA? NAO TEM COMO SER MINHA! NAO SÓ MINHA! EU PRECISO DE UM CONFORTO, DO ESTAVEL, de alguma coisa. um sim cairia tão bem. a certeza de se jogar, sem medo, e poder pensar sempre na possibilidade de sucesso... o que é inevitavelmente impossivel de ter em mim porque nao tenho essa noção, sou cética. se nunca vivi, é porque nao existe. só me aparece não, só recebo socos, REAÇÕES, do não. do não e suas consequencias, que sao sempre, sempre tragicas. e sabe por que eu me frustro? porque existe sempre a construção, o pressuposto de algo promissor mas que no final nunca dá em nada. nunca deu. como que vai existir esperança dentro de mim, assim? não dá. é injusto. ah, por favor. sim?
segunda-feira, 19
E lendo o livro que estou, Admirável Mundo Novo, comecei a discutir com minha mãe sobre um assunto que me incomoda, particulamente. Não pelo assunto em si, mas como ele é repercurtido na vida. Vamos a questão, enfim: a natureza do ser humano, o seu estado natural, puro. Que não existe mais, infelizmente. Tudo se vendeu, se tornou mecânimo, proposital, automático, industrial, pornográfico, sujo, promiscuo, duvidoso, ilegal, imoral, anoréxico, preconceitos, conceitos, tudo não é mais. Sabe, o verbe ser/estar, to be, être e avoir - que eu tive o prazer de aprender em outras línguas, podendo ser redundante sem nem perceber - não é tem mais a essência ingênua que tinha. Porque eu gosto da ingenuidade, mas não posso me dar ao luxo de lidar com ela. De sê-la. Senão o mundo me engole. Hoje em dia, sem a sagacidade não se é nada. Porque ninguém é mais natural, ninguém mais pensa como deveria pensar. Estamos todos moldados nessa bolha gigante, invisível e intransponível que o tempo, o passar do tempo, a história - que nós, sejamos sinceros - nos colocamos. Eu ainda me sinto meio perdida, frustrada, decepcionada com o mundo. Porque é tudo tão carnal, tão sem a noção não limitada das coisas, entende? Isso sufoca, faz mal. A gente precisa respirar, arejar o cérebro, as ideias... não sei, não sei. Continuar assim que não tá certo. É feio, baixo demais estar. Quem, em sã consciência, aceitaria tal pobreza? Hm, ai é que está. Quem é são hoje em dia? Ser, estar, são e salvo. Não, não dá mais. Não dá mais pra juntar todas essas palavras ao mesmo tempo. O que eu fiz aqui é um pecado, me perdoe. Ou me condene, já que assim sou/estou. Mas o que eu discuti, particulamente, com minha mãe foi a questão da sexualidade. O que é surreal - assim como toda a proposta do livro, admito - mas que preciso concordar que o surreal poderia, sim, ser mais benéfico que o real. Eu não posso falar de coisas porque sou isso, não se deve agir de tal forma porque você seria vista como uma pessoa assim, e porra, dá um tempo! Como que tudo virou tão, tão... sei lá, tão insuportável? Não há uma válvula de escape óbvia, simples, clara, pura, nua. Não, nua não. Nua é promiscuidade. Não pode. Não dá. Não é. Não está. Não, negue, negue até a morte. Eu? Eu não. Não fui eu. Não sou eu. Oras. Que inferno. We're living in a hell and we don't know. Não. Nós sabemos e nos adaptamos a isso! Olha, hahaha. Nós, seres humanos, capazes de pensar, racionais, com mil neurônios, mil átomos, mil avanços, mil merdas inuteis que resultam nessa vida mediocre e regulada por uma sociedade idiota que me sufoca, me afoga. Me sinto numa correia, ou melhor, numa coleira. E ainda tem a coragem de dizer que a liberdade reina, hoje em dia. Reina, reina da forma mais triste possível: não sendo, não estando, não podendo, não usufruida, não permitida. Negada.
quarta-feira, 07
(...) e eu crio essas pessoas na minha cabeça pra encher os vazios da minha vida, pra completar o que não devia nem estar vazio. porque não deve existir esse espaço. afeta a saúde. mental, emocional, física mesmo, por que não? e esses personagens, que os rostos aleatórios na rua me inspiram a criar, acabam sendo personificados. é um hobbie. o hobbie que eu faço pra desafogar meus pulmões do líquido venenoso do tédio. porém, como quase tudo que eu faço, é falho. muito falho. e negativo. é só mais uma frustração. sempre acaba sendo só mais uma decepção. criar vidas não é uma boa ideia, vide o exemplo de frankestein: morreu pela sua criação. e eu, além de criar algo mortífero, me traio, me mato, me engasgo com o veneno de propósito. me entorpeço mesmo sabendo que não vale a pena. e eu crio.
quarta-feira, 23
Queria poder falar pra alguém: "você é bonito". Poder falar essas coisas agradáveis sem criar consequências, sequências de fatos, obrigações, valores, títulos, prejuízos, dor, desilusão. Nada. Poder falar "você é insuportável, você me mata" e causar o meu alívio na discórdia conjunta, haha. Do que que eu tô falando? Mas eu sinto falta dessas coisas, de verdade. Já devo ter me perdido tantas vezes que dá pra fazer uma biografia de alguém que não existe com tudo que eu deixei de falar. Com tudo que eu penso ter falado mas não falei. Porque eu geralmente falo o que não se deve, e o que é importante, o que eu ficaria feliz e grata em ter registrado já se perdeu nas conexões intermináveis, intediáveis, inviáveis de meu cérebro. Mas ele era tão bonito, de fato. Por que eu não falei pra ele? Não tinha nada a perder já que não o tinha, absolutamente. E ele ia ficar feliz, claro. E ele ia se lembrar de mim - assim como eu não esqueço aquela mãe tirando foto daquela filha naquela luz amarela, tão bonita como o menino - como o menino que eu não falei que era tão bonito. Não esqueço. E não devo. Porque o que eu não externo, eu não esqueço. O arrependimento é a chave secreta para se guardar qualquer coisa que seja. E quer saber por que muitas vezes não me permito externar? Porque há o depois. Existe a pré-noção do pós-fato. Afinal, estaria desestabilizando o estável; me aproximaria dele, falaria, cortando o silêncio métrico do metrô, que ele era muito bonito e... E ai? Foi por isso que eu não disse. Porque eu espero sempre alguma coisa de algo. É lógico, há de concordar. Porém, falho. Tão falho que hoje estou aqui, ainda lembrando do que não fiz. E esquecendo do que já fiz. Da próxima vez, eu falo. Mentira, haha. Ah! Porque já externaram pra mim uma vez. Ah... foi tão lindo. O menino me deu uma flor. No meio da rua, ele resolveu me dar uma flor. Ele não pensou no depois, tanto que nada aconteceu. Eu não reagi, simplesmente. Quando se faz algo não se esperando nada, a reação não existe. Você não reage a um ato sem premedita-lo. E foi fielmente isso que aconteceu. Eu não reagi, nada aconteceu, hoje eu o levo pra sempre dentro dos memoráveis momentos de minha ordinária vida. De qualquer forma, você continua sendo muito bonito. Um dia você saberá - se já não o sabe.
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